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Após demissão em massa de médicos, militares atendem emergência em Recife

Folhapress
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Recife - Médicos das Forças Armadas e da Polícia Militar foram responsáveis por aproximadamente 90% dos atendimentos de casos de emergência durante o fim de semana no Hospital da Restauração, em Recife.

A saúde estadual enfrenta crise em Pernambuco por causa de um impasse em negociações salariais envolvendo médicos e governo. Segundo a Secretaria da Saúde do Estado, 111 médicos pediram demissão desde o início da crise, a maioria das áreas de traumatologia e cirurgias vascular e geral.

O Sindicato dos Médicos de Pernambuco afirma que 152 profissionais já se desligaram e outros 250 entregaram cartas de demissão para que a exoneração seja formalizada. Funcionários de outros dois hospitais da cidade - o Otávio de Freitas e o Getúlio Vargas - disseram que não foram realizadas cirurgias anteontem.

O atendimento a acidentes e traumas ficou concentrado no Hospital da Restauração. Um funcionário do hospital que pediu para não ser identificado afirmou anteontem à tarde que a situação na instituição era “complexa”.

Questionado se pacientes tiveram de ser transferidos para outros Estados, disse que estava “acontecendo de tudo” ali. Ele disse ainda que, mesmo com o suporte dos profissionais militares - transferidos para a instituição após pedido do governo estadual ao Ministério da Defesa - e de médicos de outros hospitais, a equipe não possuía um terço dos profissionais que estariam de plantão em um domingo comum. “Estamos nos desdobrando para atender as pessoas.”

Apesar da crise, um funcionário do Hospital Otávio de Freitas informou que a situação estava “tranqüila” ontem. No Getúlio Vargas, uma enfermeira afirmou que havia apenas três médicos - nenhum cirurgião - no local esta tarde e que apenas pacientes em risco de morte seriam atendidos. Em plantões comuns, segundo ela, a equipe seria de 20 médicos.

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