Economia & Negócios

Safra já não interfere tanto nos preços do álcool, diz Sincopetro

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Com tantas oscilações de preços causadas pelas constantes guerras de mercado entre os postos de combustíveis da cidade, na avaliação de empresários do ramo o período de safra da cana-de-açúcar já não é mais preponderante para determinar e estimular quedas no valor do álcool hidratado comercializado ao consumidor.

Segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), Wagner Siqueira, cada vez mais é o mercado que determina as alterações. O período de colheita da cana termina somente em setembro, mas os empresários ouvidos pela reportagem não se arriscam a prever novas reduções de preços do álcool até lá. Incerteza é a palavra mais utilizada por eles.

De acordo com pesquisa semanal da Agência Nacional do Petróleo (ANP) feita em todos os Estados, no momento o preço do litro do álcool varia de R$ 1,05 a R$ 1,15 em Bauru. Na gasolina a oscilação vai de R$ 2,27 a R$ 2,39. Os preços vêm se mantendo há cerca de duas semanas, quando acabaram as promoções que chegaram a derrubar o preço do álcool a até R$ 0,87 na cidade.

“O consumidor tem o direito de reclamar da situação de instabilidade (em relação aos preços dos combustíveis) e de querer valores mais baixos para o álcool durante a safra (da cana-de açúcar). Mas a verdade é que o mercado está nas mãos de três ou quatro distribuidoras. São elas que definem as coisas e, por isso, não tem como oferecer variedade de preços ao consumidor. A situação está muito difícil para nós também”, diz um empresário do ramo que pediu para não ser identificado.

Ainda segundo ele, pensando nas exportações foram feitos pesados investimentos na produção de álcool com a construção de usinas em várias localidades do País. O resultado agora seria o de uma capacidade instalada para a produção cerca de três vezes maior do que a demanda.

“Os Estados Unidos não querem o nosso álcool, vão produzir etanol a partir do milho. A Europa também não, porque em países muito frios não se mistura mais do que 2% de álcool à gasolina. Para exportar para a Ásia é muito distante, são mais de 20 dias de navio (para transportar). Ninguém sabe o que será feito com esse excesso de produção no mercado interno. Então, por que não caem os preços? Porque o mercado está nas mãos de três ou quatro distribuidoras”, reclama o empresário.

Custo

Na avaliação de Wagner Siqueira, para que a margem de lucro dos donos de postos ficasse em índices considerados razoáveis por eles, o litro do álcool em Bauru deveria estar sendo comercializado entre R$ 1,15 e R$ 1,19. Já para a gasolina a projeção seria de R$ 2,45 a R$ 2,49.

Os preços de custo do álcool estão girando em torno de R$ 0,84 a R$ 0,90, e da gasolina, de R$ 2,08 a R$ 2,15. “O futuro, infelizmente, ninguém sabe qual será. Nós estamos no período de safra da cana, o que significa que os preços do álcool poderiam estar menores. Mas ao contrário, o preço de custo do álcool tem subido em torno de 3% para nós (revendedores). É difícil explicar isso para a população”, observa Siqueira.

Segundo ele, é realmente o mercado que está “controlando” as mudanças de preços, e não situações concretas como a colheita da cana-de-açúcar ou o excesso do produto no mercado interno.

“A briga é para conquistar a clientela. Um empresário (dono de posto) passa a vender menos combustível e acha que é porque está caro. Aí, baixa os preços para atrair o consumidor. O vizinho dele, para não perder clientes, também baixa por alguns dias... E assim vai”, diz Siqueira.

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Portaria

Conforme publicado pelo Jornal da Cidade, desde que a Portaria n.º 7 da Agência Nacional do Petróleo (ANP), de 7 de março deste ano, foi publicada, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) reclama que os empresários do ramo tornaram-se “reféns das distribuidoras” de combustíveis.

A medida da ANP determina que as distribuidoras comercializem qualquer tipo de combustível (álcool, gasolina e diesel) somente a postos que ostentam sua marca como “bandeira”. Segundo o Sincopetro, antes da portaria essa obrigatoriedade era válida apenas no caso da gasolina. A alteração teria enfraquecido o poder de negociação dos empresários perante as companhias.

Já o diretor do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), Wellington Sandim, declarou ao JC que a obrigatoriedade dos postos comprarem apenas das distribuidoras que representam já era válida tanto para gasolina quanto para álcool desde julho de 2000, por meio da Portaria 116 da ANP.

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