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Discurso do senador gera bate-boca no plenário

Folhapress
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Brasília - No mais tenso embate com a oposição desde o estouro das denúncias que enfrenta, o senador Renan Calheiros discutiu e fez ameaças em plenário ao líder do DEM, José Agripino Maia (RN), e atacou adversários e o Grupo Abril, que publica a revista “Veja”.

Orientado por aliados, Renan fez um gesto simbólico ao deixar a cadeira de presidente do Senado, pela primeira vez, para discursar da tribuna. De lá, replicou: “Não me envergonho, sabem por quê? Porque sei o que faço, sei o que fiz”. O pronunciamento, mais uma vez, gerou manifestações da oposição para que ele se licenciasse da presidência.

Mas a reação de Renan foi diferente. Após ouvir de Agripino que a oposição faria obstrução às votações enquanto ele não saísse do cargo, Renan retrucou. “Se estivesse nessa situação, com os negócios que tem, com as concessões que tem, com os financiamentos bancários e estatais, talvez não agüentasse duas semanas de acusação como tenho agüentado”, disse.

Na prática, Renan tornou públicas ameaças que vinha fazendo nos bastidores. Agripino reagiu com o dedo em riste: “Que débitos? Onde é que existe algum pecado? Se tem, vossa Excelência tem a obrigação de dizer”.

Após a discussão, o clima no Senado ficou tenso. “A estratégia é exacerbar e o clima ficou incompatível com a Casa”, disse o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE).

O pronunciamento de Renan, que precedeu o bate-boca, durou 18 minutos e foi acompanhado por 20 senadores. A fala começou com uma queixa: “Há mais de dois meses venho sendo vítima de um impiedoso e irresponsável ataque que já se transformou em campanha”.

Em seguida, o tom de desabafo deu lugar a ataques em série. O primeiro deles foi aos rivais alagoanos, a ex-senadora Heloísa Helena e o ex-deputado João Lyra (PTB). Heloísa é presidente do Psol, autor da representação que deu origem ao processo no Conselho de Ética.

Lyra foi o candidato derrotado, com o apoio de Renan, por Teotônio Vilela (PSDB) ao governo de Alagoas, na eleição de 2006. “Sou agredido diariamente por sistemáticas ignomínias, perfídias, insídias, originadas da briga política paroquial e alimentadas por derrotados rancorosos como João Lyra e Heloísa Helena, que, desesperadamente, tentam reinserção política nacional”, disse. “Imaginem o futuro deste Congresso se cada derrotado político conseguir transformar seu ressentimento em pseudo-escândalo, em representações?”, completou.

Renan criticou as duas representações - a do Psol que está em curso, e a feita em parceria pelo DEM e pelo PSDB. Sobre a primeira, originada a partir das denúncias da jornalista Mônica Veloso, classificou como “tentativa de criar a falta de decoro familiar”. Da segunda, disse ser “rabiscada em guardanapos”.

O próximo alvo foi o Grupo Abril, a quem acusou de ter feito “negócios ocultos”, de “interesses secretos”. “(É) um escândalo de interesse nacional e que estou mandando para o Ministério Público apurar.” O senador acusou a editora de “fraude” na negociação da TVA com a Telefônica.

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