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Autora de 35 livros, professora convive com seus personagens

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

A escritora Marina Monteiro Cardoso, 73 anos, mora sozinha em um apartamento, no Centro de Bauru. Mas não sente solidão. Ela conta com a companhia dos personagens de seus livros, como Vampiro, Saci e Papai Noel que, na forma de fantoches, ficam numa prateleira do quarto da escritora. “São os meus filhotes”, explica para reportagem ao mesmo tempo que conversa com os fantoches.

Marina publicou 35 títulos nos gêneros infantil, didático, auto-ajuda e paradidático. “Depois de lecionar por 30 anos, descobri que o que eu mais sei fazer é escrever”, declara ela, que no passado foi professora e deu aulas no então Instituto Ernesto Monte – atual escola estadual Ernesto Monte. Atualmente, os fantoches fazem parte da vida dela. “Psiu! Fique quieto aí”, disse ela ao Vampiro durante a entrevista. “Ele é muito arteiro”, emendou em seguida.

A idéia de escrever para crianças surgiu no dia da morte do piloto Ayrton Senna, 1 de maio de 1994. Ela estava chorando ao acompanhar as notícias sobre o assunto pela televisão, quando uma de suas netas lhe consolou. “Naquele dia, todo mundo estava muito triste. Minha neta pegou no meu pescoço e perguntou: ‘Vovó, você está chorando porque?’ Eu respondi: ‘Porque o Senna morreu’. E ela me disse: ‘Ele não morreu. Está lá no céu, fazendo bola de nuvem com os anjinhos!’. Foi daí que eu percebi a capacidade que as crianças têm de vencer a dor com a imaginação”, recorda-se.

Inspirada naquele momento, Marina escreveu o seu primeiro livro infantil, ‘No mundo do faz-de-conta’, publicado

pela editora Paulus. No primeiro verso, ela descreve o que aprendeu com a neta: “No mundo do faz-de-conta / Você pensa o que quiser / No mundo do pensamento / Só vale o que você quer”. A escritora, que completa hoje 73 anos, valoriza a sabedoria dos menores de 12 anos. “O pensamento é a única coisa que é nossa. Ninguém pode tirá-lo da gente”, conclui.

Inspiração

Marina não sabe precisar de onde vem a inspiração para os livros, mas reconhece que, às vezes, ela parte de um verso. “As idéias surgem. Não preciso ter um motivo para escrever uma história”, conta. Um dos lugares de seu apartamento que ela mais gosta é o escritório, onde a tela do computador a atrai para dar vida aos seus personagens.

Uma das histórias de sua autoria é a “Se eu fosse uma fada”, também editado pela editora Paulus, na qual uma garotinha é capaz de realizar todos os seus sonhos. “Vendo tanta criança rica que acha que nada está bom, pensei em escrever sobre o que uma criança humilde faria se virasse uma fada”. Um dos pedidos da menina é para que os revólveres virassem sorvetes, desmanchando nos bolsos e nas mãos daqueles que os portavam.

Outro livro, Rabito e Rabão, também editado pela editora Paulus, descreve as trapalhadas de um coelho que queria ter rabo de gato e do gato que sonhava em ter orelhas de coelho. “Por fim, fazem orelhas postiças para um e rabo para outro, mas eles não conseguem se adaptar às mudanças”, diverte-se.

Marina nasceu em São Manuel, mas mudou-se para Bauru com sua família quando tinha apenas 20 dias de vida. Ela é integrante da Academia Bauruense de Letras, participa de feiras de livros e realiza palestras em escolas, acompanhada por seus fantoches-filhotes.

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A viuvez

Outro livro da autora Marina Monteiro Cardoso, “A Viuvez”, publicado pela editora Ave-Maria, conta parte da história de sua vida: seu marido morreu quando ela tinha 43 anos. “Foi muito difícil, eu tenho cinco filhos, três ainda eram adolescentes. Ficaram sem chão”, lembra-se. Marina conta que soube vencer as dificuldades e a dor. “Às vezes, com a viuvez, a família se desmancha. Mas, no meu caso, ela se uniu”.

A história de superação frente à perda do marido fez sucesso entre os leitores. A escritora recebeu dezenas de cartas daqueles que se reconheceram em sua história. “Eles escreveram que, com o livro, conseguiram enfrentar a tristeza”, conta satisfeita. “A Viuvez”, foi traduzido para o espanhol pela editora Paulinas.

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