Economia & Negócios

Carros novos ‘encalham’ os antigos

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

Há alguns anos, comprar carro novo era privilégio de poucos. Hoje a situação mudou, e muito. Praticamente, basta ter vontade e coragem para assumir os elásticos planos de pagamento oferecidos pelas concessionárias das mais diversas marcas. Essa facilidade de compra acabou prejudicando o mercado de carros antigos, especialmente aqueles com mais de 20 anos de fabricação, isentos, inclusive, do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Com R$ 500,00 é possível ter um carro usado.

O comércio desses automóveis sofreu uma queda aparente e desastrosa para as finanças dos empresários do setor. José Benedito França, sócio-proprietário de um estacionamento de carros usados no Jardim Rosa Branca, em Bauru, diz que há cerca de um ano e meio conseguia vender sete veículos por semana. “Hoje, vendo um. Quem é bem assalariado, procura uma concessionária e tira um carro novo. Facilidade não falta. Então, por que vai comprar um velho?”, analisa.

A oferta atrativa de carros zero quilômetro tem atrapalhado não só as vendas desses estabelecimentos, mas também o lucro do negócio. “Não dá para perder cliente. O jeito é ceder, baixando o preço”, explica França, desapontado.

Os efeitos da crise também são sentidos pelo empresário Joaquim Gomes, dono de uma oficina e revendedora de carros usados no Parque Santa Edwirges. Ele conta que o mercado já esteve melhor para o segmento. “Antes vendia mais. Hoje está mais fácil comprar (carro) zero quilômetro. Muitas vezes, nem entrada precisa. Já para comprar um com mais de 20 anos de uso, que é o que vendo, o cliente tem que pagar à vista. Não é todo mundo que pode.”

R$ 500,00

A maior parte dos veículos que Gomes comercializa tem mais de duas décadas de fabricação. Opções em preços não faltam. O consumidor pode encontrar desde uma Variant vermelha por R$ 1.500,00 até um Fusca azul, ano 1958, com peças originais por R$ 6 mil. “O mais em conta que tenho é um Fusca 62, com motor 1.200, no valor de R$ 500,00. Inclusive, já está vendido. Só falta fazer alguns ajustes e entregar”, conta o mecânico.

No estabelecimento do revendedor José Benedito França, os Chevettes e Passats têm a preferência da clientela. “Os jovens preferem o Chevette para fazer incrementos, colocando insulfilme e tudo mais. Já o Passat é o preferido para quem pretende turbinar o veículo. No momento, a garagem dispõe de três Chevettes, anos 76, 83 e 84. O único Passat disponível, ano 81, já foi vendido.

“Procuramos facilitar ao máximo a compra para o cliente. Aceitamos receber metade à vista em dinheiro e parcelamos o restante em até sete pagamentos, com cheque pré-datado. A maioria faz dessa forma”, comenta.

Em geral, o público consumidor de carros com mais de 20 anos de uso mudou. Na opinião dos empresários do setor consultados pela reportagem, isso ocorreru por conta da expansão do crédito para a aquisição de veículos zero quilômetro. Atualmente, os maiores fãs desses veículos são jovens, que compram as “máquinas” principalmente com o objetivo de personalizá-las.

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‘Mão na roda’

Contrariando a tendência geral do público consumidor de carros antigos, um motorista de Bauru, que pediu para não ser identificado, comprou recentemente um Opala ano 76 exclusivamente para trabalhar.

Ele conta ter pago R$ 300,00 pelo carro e que não se arrepende do negócio. “Gasta pouco (combustível) e a mão-de-obra (para manutenção) é barata. Além disso, não tem IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores) para pagar”, ressalta, entusiasmado.

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