Tribuna do Leitor

Explanações sobre cultura e marketing cultural


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Resolvi escrever sobre o assunto pois venho me deparando com idéias equivocadas a respeito. É comum o artista procurar empresas em busca de apoio cultural ou patrocínio e ter como resposta “nós já contribuimos com a creche tal, ou com o hostpital tal e até com o asilo tal”.

Um grande equívoco é confundir apoio com patrocínio. Outros não têm a menor idéia do retorno obtido com a marketing cultural, ou não sabem que ele vale tanto para grandes quanto para pequenas empresas. Há espaço para todos e projetos adequados a todos os bolsos, em busca de parcerias.

Segundo estudo encomendado pelo Ministério da Cultura à Fundação João Pinheiro, em 1997 a produção cultural movimentou no Brasil aproximadamente R$ 6,5 bilhões, o que correspondia na época a cerca de 0,8% do PIB brasileiro. Em 1994, quando foi feito o último levantamento, a cultura empregava 510 mil pessoas, considerando-se todos os seus setores e áreas.

Esse contigente era 90% maior do que o empregado pelas atividades de fabricação de equipamentos e material elétrico e eletrônico; 53% superior ao da indústria automobilística, de autopeças e fabricação de outros veículos e 78% maior do que o empregado em serviços industriais de utilidade pública (energia elétrica, distribuição de água e esgoto). Ou seja, a cultura tem um peso econômico importante no Brasil de hoje, destacando-se inclusive como grande geradora de empregos. Mas esses números estão muito defasados e não houve nenhuma outra pesquisa aprofundada até agora.

Ações de marketing solidificam a imagem institucional das empresas e dão visibilidade para a marca. Desse modo, o investimento em cultura pode ser visto como uma oportunidade para as empresas participarem do processo de incremento e manutenção dos valores culturais da sociedade e, principalmente, a possibilidade de construir uma imagem forte e bem posicionada para o consumidor, garantindo a curto, médio e longo prazo sua perpetuação.

Nesse aspecto, o marketing cultural trabalha a imagem da empresa, por meio da marca, de forma consciente e inconsciente. Por que comprar este ou aquele sabonete? A resposta para essa pergunta vem da competitividade do produto, mas também é fruto do trabalho de marketing dessa empresa.

Do ponto de vista financeiro, dependendo do tipo de projeto cultural escolhido, a empresa pode reaver 100% do valor investido, o que seria um bom negócio. Do ponto de vista mercadológico, a imagem institucional dessa empresa e a aceitação que ela tem junto ao seu público-alvo são bastante trabalhados, o que contribui para a solidificação e perenização da empresa. Se o marketing cultural vier associado a outras ações de marketing, seus benefícios serão bastante ampliados.

Só para esclarecer uma dúvida recorrente: uma empresa que compra uma cota ou a totalidade de seu projeto é uma patrocinadora. Uma empresa aérea que lhe forneça passagens, uma gráfica que produza o material gráfico ou um hotel que hospede sua equipe, por exemplo, são seus apoiadores. Expresso aqui meus sinceros agradecimentos à Wizard e à Master Graphic, duas empresas conscientes da importância do apoio à produção cultural na cidade. Fonte:http://www.marketingcultural.com.br

Susan Lopes - atriz

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