Pesca & Lazer

História de pescador: Caçador de onças


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Numa das últimas pescarias que fizemos com o pessoal da Cesp, fomos ao rio Aquidauana e ficamos acampados numa fazenda de um conhecido de Campo Grande. Nesta pescaria foi o Roberto Figueiredo, hoje instrutor de auto-escola; eu, o Nivaldo Cruz, mais conhecido como Caroço; o Célio Zanatas, que tem uma oficina de calhas na rua 15 de novembro, conhecido como Grilo; o Nivelton, que não sei por onde anda, e o nosso personagem, um amigo de São Paulo, que apelidamos de Cocada, pelo fato de apreciar muito esse doce baiano.

Nossa viagem foi tranqüila e chegamos na fazenda mais ou menos 16h, bastante cansados e fomos recebidos pelo capataz da fazenda, seu Roberto, que gentilmente ofereceu o galpão da fazenda para nosso acampamento. Era um salão grande, que dava perfeitamente para que todos pudéssemos nos alojar. Ali montamos nossos dormitórios, cozinha e uma sala para refeição e para as trucadas de todas as noites.

Numa tarde, após chegarmos da pescaria, flagramos nosso personagem, o Cocada, perguntando ao capataz se ali tinha onças, pois ele já caçou esse bicho quando ia pescar no Pantanal. Agora, imaginem, senhores leitores, uma pessoa que foi nascida e criada na Capital, dizendo que já caçou onças. Só mesmo o capataz da fazenda, que não o conhecia, que poderia acreditar. A notícia se espalhou entre os demais e resolvemos pregar uma peça nele.

No dia seguinte, quando chegamos da pescaria, a noite estava quente e começamos nossa trucada. Foi quando o seu Roberto, orientado por nós, chegou com um cartucheira e alguns cartuchos e disse ao Cocada que escutou um esturro de onça ali perto e se ele queria caçá-la. O Cocada apanhou a cartucheira e a munição e partiu na direção apontada pelo senhor Roberto, talvez pelo fato de querer provar que aquela conversa não era mentira.

Ficamos preocupados e esperamos o desfecho da caçada. Não demorou cinco minutos e lá vem o Cocada numa carreira e a onça atrás dele. Quando estava para chegar no galpão, ele simplesmente, no desespero, foi dar um mergulho pela janela adentro e, nesse exato momento, a onça também deu o bote.

Por sorte, nosso personagem escorregou e caiu e a onça passou por cima dele, caindo dentro da sala onde nós estávamos jogando truco. Foi quando o Cocada levantou-se, pôs a cara na janela e gritou: “Vão tirando o couro desta que vou buscar outra”.

Domicio Iamashita é pescador e contador de histórias.

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