A produtora Karla Adriana Teixeira, 34 anos, teve uma desagradável surpresa quando chegou em sua casa, em Bauru, no último dia 3. A residência estava aberta e a porta estava sem a fechadura da chave tipo tetra. Ela logo verificou que a CPU do seu computador e uma máquina fotográfica digital tinham sido furtadas. No dia seguinte, quando chamou um chaveiro para arrumar a fechadura, teve uma outra surpresa. Era a mesma empresa que, no dia anterior, foi solicitada pelo gatuno para abrir a porta, se passando pelo morador da residência. A Polícia Civil investiga a nova modalidade de golpe na cidade.
Teixeira conta que há oito meses mora no local, uma casa na quadra 5 da rua Manoel Bento Cruz, Centro. Como tem dois empregos, não costumava passar em sua casa durante o dia, só retornando à noite. "Cheguei em casa na noite da última sexta-feira, vi a porta aberta e que a fechadura da chave tetra tinha sido retirada. Assim que eu percebi o furto, chamei a polícia”, relata.
Ela resolveu aguardar o dia seguinte para arrumar a fechadura. “Liguei para um chaveiro, mas ele cobrava caro demais. Então chamei um outro”, conta. O profissional que atendeu a chamada, logo reconheceu o endereço.
“Pensamos que alguma coisa tinha acontecido”, conta o chaveiro Antônio Carlos Nunes. Ele revela que na sexta-feira, por volta das 12h, um homem bem vestido foi até o seu estabelecimento e solicitou um serviço. “Ele disse que tinha perdido a chave de sua casa. Um funcionário nosso foi até lá com ele”, conta. Segundo o chaveiro, o homem permaneceu ao lado do rapaz o tempo necessário para abrir a porta e chegou a fazer comentários sobre a casa e até sobre o cachorro da vizinha.
Assim que a porta foi aberta, o rapaz começou a instalar a nova fechadura. O homem que se passou pelo morador da casa disse que estava com um pouco de pressa e pediu para o chaveiro finalizar o conserto mais tarde, mas não retornou ao local. De acordo com Nunes, o homem vestia camisa social de mangas longas, era sério e estava tranqüilo.
Teixeira, que mora sozinha, desconfia que foi vítima de alguém que conhecia sua rotina, qu e sabia que ela não estaria em casa durante o dia.
Atenção
Nunes, que já passou por algumas situações complicadas por conta da profissão, afirma que muitas vezes chega a recusar o serviço se desconfia da postura do cliente. Sobre o caso da sexta-feira, conta que entrou em contato com outros chaveiros informando a descrição do suspeito.
Há uma lei, de 2002, que disciplina a atividade tanto de chaveiros quanto de instaladores de alarme. A lei determina que é obrigatório o cadastramento desses prestadores de serviços na Secretaria da Segurança Pública e que eles devem manter controle de informações sobre os serviços executados, das vendas e dos clientes, em caso de instalações.