Política

Vereador prega direito de opinar

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Ao comentar a nota de repúdio, o vereador João Parreira (PSDB) disse não ter o objetivo de entrar em confronto com o partido e que, em nenhum momento, dirigiu-se de forma ofensiva ou desrespeitosa ao governador José Serra. No entanto, considerou ter direito à liberdade de expressão e não poupou críticas à atitude do diretório.

“O objetivo é demonstrar meu direito democrático de opinar. Isso é a essência da democracia. Não quero confrontar, mas também não posso aceitar um manifesto onde a Executiva afirma que estou agindo com leviandade. Quem age com leviandade são as pessoas inconseqüentes, e não sou uma pessoa inconseqüente. Aceito e defendo o direito deles se manifestarem, mas não queiram tirar meu direito de pensar e falar, principalmente quando faço isso em defesa de objetivos que acho válidos”, frisou Parreira. E completou:

“Aceito que todos possam se levantar e dizer que errei, mas eles têm de defender meu direito de falar o que penso. Podem não concordar com o que falei, mas dizer que não posso falar aí é outra coisa. Isso não aceito. Quantos anos esse País ficou subjugado à ditadura? Agora, vamos querer resgatar a ditadura novamente?”

Além disso, o parlamentar ressaltou ter aceitado democraticamente o encaminhamento da nota de repúdio e esclareceu ter afirmado que Serra não é Deus para dizer que ele não é infalível. “Considero o Serra uma pessoa bem intencionada, preparada para o cargo que ocupa e que foi escolhida pelo povo para poder representar o governo de São Paulo. Mas ele não é Deus. Infalível é Deus. Deus você não contesta, mas os homens sim, pois estes são falíveis como eu. Quero deixar claro que já critiquei o Alckmin (ex-governador Geraldo Alckmin), e não foi uma vez, mas várias, e nem por isso fui advertido por ninguém”, comparou.

Parreira também argumentou não ter ferido princípios da legenda e sustentou que a questão foge da alçada partidária. “Não estamos discutindo questões partidárias, e sim um assunto que o governador pode até ter posição diferente da minha e, por isso, posso ter o direito de criticá-lo. Isso faz parte da democracia. Lutamos quantos anos contra a ditadura e agora vamos ter, toda vez que formos falar algo, cuidado para falar porque é do nosso partido e é o governador?”, disparou o vereador. E acrescentou:

“Estamos discutindo um assunto político que não envolve o interesse de um partido, mas de uma comunidade que está acima de partido. Será que tudo que o governo Serra vai fazer está certo e seremos obrigados a concordar com tudo? Isso nos leva a uma reflexão mais profunda. E a luta que tivemos pela liberdade? Acho que esse documento feito pela Executiva nos leva a refletir não só em cima de uma manifestação minha, mas também se estamos caminhando para frente ou para trás.”

Por fim, Parreira ressaltou não ter interpretado mal as declarações de Serra. “Ele foi muito sucinto em suas declarações e não nos levou, talvez, ao entendimento que ele quisesse nos levar. Interpretei as declarações do governador como elas vieram e não as interpretei mal. Se me perguntassem exatamente o que ele quis dizer, não sei e é difícil dizer isso. Mas falei aquilo porque sou do PSDB, que é o Partido da Social Democracia. E democracia quer dizer liberdade de opinião”, finalizou.

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