Regional

Pedágios em BR ‘desgastam’ vicinais

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 2 min

Mais uma vez o tema privatização é motivo de controvérsias na região de Bauru. O anúncio da concessão da rodovia federal BR-153, Transbrasiliana, para a iniciativa privada, e, conseqüentemente, a instalação de praças de pedágio, é vista por alguns como uma solução para os problemas de segurança e manutenção da rodovia. No entanto, outros avaliam como o surgimento de novos problemas.

Para alguns municípios localizados nos arredores da BR-153, próximos a Marília e Lins, a concessão gera dúvidas. Para fugir das praças de pedágio, veículos podem desviar por uma vicinal, que dá acesso às cidades de Alvinlândia e Lupércio. Caso isso ocorra, o trânsito de caminhões pesados pode tornar a situação das estradas vicinais mais precária do que já estão.

A migração do tráfego de estradas pedagiadas é uma realidade na região de Bauru. Para fugir da praça no quilômetro 199 da Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225), a Bauru-Jaú, muitos motoristas optam pela estrada vicinal Lauro Peraçoli (interligação entre Macatuba e Igaraçu do Tietê). Recapeada, a vicinal vai ganhar um pedágio municipal instalado no trecho de Macatuba.

O leilão de concessão da BR-153 está marcado para o mês de outubro. Após o leilão, a empresa concessionária vencedora deve instalar quatro praças de pedágio no trecho paulista. Duas delas devem ficar na região, uma próximo a Lins e outra no quilômetro 267, em Marília (100 quilômetros de Bauru).

Marília e Lins aprovam

Para o prefeito de Marília, Mário Bugareli (sem partido), é preferível a privatização acompanhada de melhorias na rodovia Transbrasiliana (BR-153) do que a situação como está atualmente. “Seria melhor se todas (as rodovias) não tivessem o pedágio. Mas sabemos que hoje, para ter segurança e conservação das estradas, a privatização é necessária”, comenta.

Bugareli, no entanto, lembra que o CID (contribuição sobre combustível) é que deveria ser usado para a manutenção das rodovias. No entanto, segundo ele, não está sendo suficiente. “Entre deixar a estrada esburacada, desconfortável e prejudicial ao escoamento da safra, não temos escolha”, conclui.

A opinião de Bugareli é compartilhada pelo secretário de Desenvolvimento Sustentável de Lins, Israel Antônio Alfonso. “A duplicação é uma necessidade. Sempre acontecem acidentes com morte no trecho que passa por Lins”, aponta.

Para Alfonso, a duplicação da rodovia, que poderia ocorrer com a sua privatização, é de interesse para o desenvolvimento da região. “Empresas querem se instalar no município por causa do entroncamento (rodoviário)”, explica.

Sem alternativa

Na microrregião de Lins, os moradores de Getulina, por exemplo, teriam que pagar pedágio para trabalhar na cidade vizinha. “O único caminho de Getulina até Lins é a BR-153. Muitas pessoas terão seu orçamento onerado se tiverem que pagar pedágio para trabalhar em Lins”, explica Alfonso, ressaltando que muitos moradores de Getulina são funcionários de um frigorífico de Lins. Daí a necessidade de utilizarem a rodovia.

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