Cultura

‘Nunca corri atrás para ser ‘celebrity’

Diego Molina
| Tempo de leitura: 6 min

Em seu quinto disco, “Ver-Te Mar”, o Babado Novo aperfeiçoou o que vinha produzindo até então. Ao lado do reggae e das baladas, a axé music mais pop e leve do grupo ganhou um peso afro com a ajuda de Carlinhos Brown. Acima disso, o brilho da banda se deve mesmo à simpatia da vocalista, Cláudia Leitte.

Juntos desde 2001, os músicos do Babado Novo conquistaram o Brasil após o lançamento independente de seu primeiro disco, com a regravação de “Amor Perfeito” (sucesso de Roberto Carlos) e “Cai Fora”. No final de 2003, a banda lançou seu segundo disco, que teve como hit “Safado, Cachorro Sem Vergonha”.

O sucesso abriu caminho para o CD e DVD “Uau! Babado Novo ao Vivo em Salvador”, que fez o grupo estourar no País todo. No final de 2005, foi lançado “O Diário de Claudinha”, que trouxe uma das músicas mais tocadas nas rádios em 2006, “Bola de Sabão”.

Em entrevista por telefone ao JC Cultura, Cláudia falou do atual momento do grupo, de planos para os próximos meses e da posição que alcançou não apenas como cantora de sucesso, mas também celebridade visada pelas revistas de fofoca.

“Mas, menino, você está me ouvindo bem? Eu estou ouvindo o eco da minha voz! Sabe aquela história do ‘sanduiche-iche’? (risos) Daqui a pouco vou te dar entrevista igual àquela mulher”. Cláudia Leitte é assim.

JC - Gostaria que você falasse primeiro sobre o show que vocês trazem a Bauru.

Cláudia Leitte - Rapaz, isso é difícil de falar porque a gente depende muito do público. Se houver uma movimentação que peça que a gente mude tudo, tudo será mudado! É mais ou menos desse jeito, então não dá para adiantar muita coisa. O máximo que eu posso falar é que não vamos deixar de tocar músicas como “Bola de Sabão”, “Amor Perfeito” e muita coisa do disco novo. Tem dois anos que não vamos a Bauru, vai ser bem diferente, o público vai curtir bastante. E tem outra coisa: acredito que a gente vá se apresentar com o palco novo, estamos na expectativa, porque ainda não temos certeza. Ele é bem moderno, com leds, projeções. Tivemos um carinho especial para escolher as imagens das projeções. Espero que seja esse palco que esteja aí em Bauru.

JC - A última vez em que o Babado Novo esteve em Bauru, colocou todo mundo para dançar no Praia Skol - e a banda ainda estava estourando no Brasil, no lançamento do primeiro DVD ao vivo. Agora, a situação é outra. É mais fácil? A banda já entra no palco com o jogo ganho?

Cláudia - Em todo show que fazemos, independente de onde seja, nós subimos no palco sabendo que estamos ali recomeçando tudo - sobretudo em um caso como esse, em que retornamos a Bauru depois de dois anos. Ao voltar, vamos saber se deixamos uma mensagem boa com as pessoas, para podermos receber muita coisa boa. Na música baiana, você depende muito da participação do público, por isso acredito que é sempre um recomeço. Embora já tenhamos um tempo de estrada maior, sabemos que vamos sempre começar tudo de novo para fazer o melhor. E o frio na barriga é sempre o mesmo!

JC - Lembrando do show de vocês em Bauru, o Babado Novo dividiu o palco com o CPM 22. No mês passado, vocês fizeram o “Estúdio Ao Vivo Coca-Cola” da MTV com a banda. Como foi essa experiência? Fica alguma coisa para uma nova parceria?

Cláudia - Tem um pouco de referências - se é que posso usar essa palavra para dizer isso - do rock’n’roll na axé music. Os caras (do CPM 22) são muito gente boa, mas tem roqueiro que tem aquela preocupação de manter certa postura, de não aceitar pagode, axé, samba ou qualquer música que não seja rock, enfim. Tem uma resistência, até de não olhar no olho, de não ficar muito perto. Mas eles demonstraram estar muito abertos e acho que seria interessante (uma parceria). Eu fiz o convite e espero que eles aceitem, de repente para o Carnaval em Salvador. Nós curtimos muito o “Estúdio Ao Vivo”, ficamos apaixonados pela mistura do som. Particularmente, achei que o nosso foi o mais diferente de todos.

JC - Como estão os planos para a gravação do novo DVD? Esse projeto já está certo, vai ser gravado mesmo no início do ano no Rio de Janeiro?

Cláudia - Ai, isso me traz muito nervosismo, sabia? (risos) Vai ser provavelmente em 2008, no início do ano, entre janeiro e fevereiro. A gente não tem uma data precisa nem o local, embora haja muita especulação em cima disso. Já soltaram que vai ser em Copacabana ou em Botafogo. Mas a gente não tem certeza de nada, essa decisão vai ficar mais para frente, para quando tivermos definido os detalhes de cenário, que também está em projeto. Tudo, até agora, é especulação.

JC - Mas ele vai ser gravado no Rio?

Cláudia - Para mim, já bateu o martelo que será no Rio, mas se mudar para outra cidade, tudo bem, também.

JC - Existe a possibilidade de você encarar a carreira solo ou um projeto com outro tipo de som, que não se encaixe na proposta do Babado Novo?

Cláudia - Eu estou pensando em tanta coisa, agora tem o Criança Esperança, foram dois dias de ensaio, as coreografias, aí tem o DVD, depois já tem Carnaval. Não dá muito tempo de pensar em nada mais. A principio, para mim, (falando de carreira) solo, tem o Criança Esperança, algumas capas de revista que eu venho fazendo, mas que não são coisas isoladas, acho que fica dentro da proposta da nossa história. No Criança Esperança, vou fazer um musical no sábado e, no domingo, vou fazer uma música com o Babado.

JC - Além de uma cantora de sucesso, você se tornou alvo de revistas de celebridade. Como é lidar com esse assédio da indústria das fofocas?

Cláudia - Vou lhe dizer: uma coisa está associada à outra e não posso ser hipócrita em afirmar que eu achava que isso não aconteceria. Nunca corri atrás para ser uma “celebrity”. Se estou em uma loja ou sentando para almoçar e aparece um fotógrafo, não me atinge. É como se isso estivesse incluído na profissão. Eu vim para cantar, mas isso está atrelado, é um preço a se pagar. Sei lidar com esse tipo de coisa, sei moderar até onde vai, qual é o limite. Não quero que minha vida esteja exposta e todo mundo fique interferindo, inclusive na minha música. Não quero me preocupar com meu comportamento, com a roupa ou o cabelo, se estou indo comprar pão na padaria! Isso não pode interferir na minha direção, se eu vou sair bem na foto ou não. Mas a gente vai vivendo e aprendendo a viver.

Comentários

Comentários