São Paulo - “É o mesmo ambiente que antes vocês diziam que estava mal. Está tudo do mesmo jeito, só que as vitórias ajudam”, afirmou o treinador Muricy Ramalho, no início de sua entrevista coletiva ontem, no CT do clube. Numa situação bem mais tranqüila do que a do início do Brasileiro, quando sua cabeça era pedida por conselheiros nos corredores do Morumbi, o técnico reconhece que virou o jogo a seu favor, mas não se engana.
“Hoje todo mundo vem falar, dá os parabéns. Mas, quando você perde, o camarada troca até de calçada para não ter que cumprimentá-lo. Mas isso aqui é da cultura brasileira, derrota ninguém quer dividir.”
No jogo de hoje, às 18h10, contra o Atlético-PR no Morumbi, o time defende a liderança do Brasileiro, cinco pontos à frente do vice-líder Botafogo, que tem um jogo a menos e enfrenta o Figueirense amanhã. Se vencer, o time conquista o primeiro turno do Brasileiro ao mesmo tempo que chega a sete vitórias consecutivas, uma seqüência que não vê desde 2004, quando o comandante era o hoje botafoguense Cuca.
Definindo-se como anti-social .“Não tenho marketing, não me visto bem, não falo bem, eu só tenho o meu trabalho”-, o técnico diz não ter fixação em chegar um dia à seleção e até prefere a “solidão” da carreira de treinador. Tanto que, na rara possibilidade de um domingo sem trabalho, já que folgará domingo, Muricy foi claro.
“Não vou aceitar convite para nada, vou passar o Dia dos Pais em casa, com a minha família.” Segundo o treinador, o fato de conhecer individualmente seus comandados o permitiu ter confiança e ainda afirma que não se sente “vingado” após atingir a liderança.
“Foi muito difícil chegar até ponta, mas vai ser mais difícil ainda continuar. A sorte é que temos atletas maduros, que mantêm o ótimo ambiente. Basta manter os pés no chão para termos condições de vencer”, afirma o treinador.
Para o jogo contra o Atlético-PR, o técnico escalará o meia Souza na ala direita, já que o lateral especialista Reasco fraturou a tíbia na última quarta-feira, no duelo com o Botafogo. “Como jogamos com três zagueiros, isso facilita para o Souza, que não tem que se preocupar em marcar”, diz Muricy.
Chegando à metade do torneio nacional, o técnico já começa a estudar formas de poupar o time do desgaste dos jogos consecutivos, já que terá pela frente ainda a Copa Sul-Americana na próxima semana.
O São Paulo confirmou ontem a contratação do volante Fernando, irmão de Carlos Alberto (ex-Corinthians, atualmente no Werder Bremen, da Alemanha), que desde o início do ano se recuperava de uma cirurgia no joelho esquerdo no Reffis, no CT são-paulino. O jogador de 19 anos assinou um contrato válido por dois anos e meio e será peça importante para Muricy Ramalho.
Maurinho retorna
O lateral-direito tem escalação praticamente certa na estréia do time tricolor pelo torneio continental, em que fará sua estréia na próxima quarta-feira, contra o Figueirense, no estádio Orlando Scarpelli, em Florianópolis.
“Não dá para dar ritmo de jogo a ele durante o Brasileiro, que é mais disputado”, disse Muricy Ramalho, que, no entanto, sabe que precisará contar com o jogador devido à perda de Reasco por seis meses.
Após a cirurgia da tíbia, o lateral-direito equatoriano passa bem, segundo o médico e superintendente de futebol do clube, Marco Aurélio Cunha. Reasco deve receber alta de sua internação hoje.