São Paulo - Cinco pessoas foram mantidas reféns por cerca de cinco horas dentro da casa de um analista de sistemas em Guarulhos (Grande São Paulo). Dentre as vítimas havia uma menina de apenas 8 meses. Houve troca de tiros no quintal da casa.
Após quase duas horas de negociação, eles foram liberados. Dois acusados foram presos. A dupla invadiu a casa, no Jardim Ipanema, às 8h30, quando a empregada da família, Eunice Gomes da Silva, 54 anos, chegava para trabalhar. Lá estava o analista de sistemas Daiker Nouauer Sobrinho, 46 anos, sua mulher, Valéria dos Santos Passori, 41 anos, a filha do casal e a babá da criança, Mariete Silveira da Costa, 51 anos.
Usando um revólver, Paulo Roberto da Silva, 27 anos, os manteve, na maior parte do tempo, na sala do sobrado de classe média. Enquanto esteve dentro da casa, a dupla procurou por um suposto cofre, que teria motivado o roubo. Não foi encontrado. Sobrinho não sabe de onde partiu a informação sobre o cofre escondido. “Nunca tinha visto esses homens e espero não vê-los mais.”
Depois de mais de duas horas e muita pressão sobre as vítimas, o segundo suspeito, Adalberto de Moraes, 41 anos, deixou a casa no carro da família, um Toyota Corolla, levando jóias, aparelhos eletrônicos e eletrodomésticos. Antes, parou em uma padaria próxima da casa, na mesma rua. O estranho visitante chamou atenção dos vizinhos do analista, morador antigo do bairro.
A polícia foi acionada e cercou a casa. A empregada da família foi enviada pelo assaltante, que ainda mantinha os reféns, para despistar a polícia na porta da casa. Enquanto isso, ele tentou fugir pelos fundos, levando consigo a mulher do analista. O suspeito foi surpreendido por PMs escondidos no quintal. Houve troca de tiros, mas ninguém se feriu.
De volta ao interior da casa, Silva, que segundo a PM estava em liberdade condicional por furto, passou a ameaçar a família e resistir à prisão. De acordo com um dos negociadores, o aspirante Paulo Souza, da PM, o acusado demonstrava muito nervosismo. “Ele dizia que não voltaria para a prisão de jeito nenhum. Que dali sairia livre ou morto.”
Uma hora depois, ele libertou o bebê em troca de um colete a prova de balas. Em seguida, exigiu a presença de seu advogado, José Roberto de Souza, e de um familiar. Às 13h30, Silva se entregou. Embora muito abalados, os reféns não foram feridos. O segundo acusado foi encontrado em um bairro próximo, ainda dirigindo o Corolla de Sobrinho.
Até o fim da tarde de ontem, não havia informações de que ele tinha passagem pela polícia. Às 19h, segundo o advogado da dupla, os acusados não haviam sido ouvidos pela polícia. Eles seriam indiciados por roubo qualificado, com retenção das vítimas.