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Vida moderna desafia busca da concentração no dia-a-dia

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Manter-se focado em uma determinada tarefa, hoje em dia, pode ser mais difícil do que a execução da própria tarefa. Isso porque para fazer algo bem feito é preciso uma boa dose de concentração. Mas como se concentrar com tanta gente conversando ao seu redor, telefone tocando, e-mail chegando a todo momento, um colega que pede sua ajuda? Isso sem contar as preocupações domésticas, financeiras ou amorosas. Com tanta coisa ocupando a nossa mente, não é nada fácil manter o foco por muito tempo naquilo que estamos fazendo. E isso resulta em prejuízo não só para o trabalhador, como também para a empresa. O tempo passa e a tarefa continua lá, incompleta.

Uma pesquisa feita nos Estados Unidos mostrou que um profissional consegue permanecer focado em um trabalho, em média, por apenas 11 minutos. Esse é o tempo para que o telefone toque, ou algo à sua volta ou no seu computador chame a atenção.

Uma vez que interrompe o que estava fazendo, o trabalhador leva cerca de 25 minutos para atingir novamente o nível de concentração anterior. Segundo a pesquisa, toda essa distração pode custar até duas horas diárias de trabalho perdido.

Quando se perde o foco, lá se vai o tempo e com ele também o dinheiro. Afinal de contas, tempo é dinheiro. Quanto maior a distração, menor a produção. Isso tem levado empresas a adotar regras para evitar a perda de foco de seus funcionários. Algumas restringem o acesso aos e-mails particulares, a alguns sites de entretenimento e serviços, como o Orkut, por exemplo.

De acordo com Christian Barbosa, um especialista em produtividade pessoal e empresarial, algumas pessoas têm uma tendência natural a serem mais focadas do que outras. A explicação para isso, segundo ele, está no cérebro, que é dividido em dois hemisférios.

O esquerdo, conhecido como consciente, é o responsável pelo raciocínio lógico. O direito, conhecido como inconsciente, é o responsável pelo raciocínio criativo.

Pessoas com o hemisfério esquerdo predominante têm, segundo Christian, tendência a serem mais organizadas e menos vulneráveis às distrações. Por outro lado, pessoas cujo predomínio é do hemisfério direito do cérebro têm tendência a serem mais desorganizadas e de fácil dispersão. “Não existe um hemisfério melhor do que o outro. Ambos são igualmente importantes. O segredo é saber utilizar os dois a seu favor na hora de ganhar mais tempo no seu dia”, diz ele.

De acordo com o neurologista Luiz Eduardo Betting, de modo geral, na maioria das pessoas o hemisfério cerebral esquerdo é o dominante. Segundo ele, esse é o lado responsável pela linguagem.

Independentemente da dominância para a linguagem, alguns estudos indicam que existe um certo predomínio entre os hemisférios. Quando o hemisfério predominante é o esquerdo, as pessoas tendem a ser mais racionais. Quando o predomínio é do lado direito, as pessoas tendem a ser mais emocionais.

“Apesar de haver uma certa participação dos hemisférios cerebrais na personalidade, na verdade a região que é responsável por isso é, sobretudo, o lobo frontal (região anterior do cérebro localizada sobre os olhos)”, diz o neurologista.

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