RH & Tendências

Socialização ajuda a conhecer empresa

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 4 min

Quem já mudou de casa, de escola ou de emprego, sabe bem a dificuldade em se adaptar ao novo meio. Apesar da capacidade de se relacionar, o ser humano ainda tem certa resistência em se tornar sociável, quando está em ambiente desconhecido. Nesses casos, é importante ter alguém que faça a ponte entre o novo membro da comunidade e os que já estão nela há mais tempo.

É o que podemos definir como o processo de socialização. No caso de organizações, este processo é feito pelas equipes de recursos humanos, com o auxílio de um psicólogo, que vai ajudar o indivíduo a se inserir no novo ambiente de trabalho. O especialista em gestão de recursos humanos Gilberto Tadeu Shinyashiki classifica a socialização organizacional como “o processo pelo qual uma pessoa aprende os valores, normas e comportamentos exigidos, que lhe permitirá participar como membro de uma organização”.

A socialização organizacional também é discutida no livro “Contribuições do psicólogo para a promoção de saúde, qualidade de vida do trabalhador e desenvolvimento das organizações”, organizado pelos professores de psicologia organizacional e do trabalho da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Luiz Carlos Canêo, Edward Goulart Júnior e Maria Cristina Frollini Lunardelli, em parceria com a subsede Bauru, do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (CRP-SP), com a participação de alunos do curso de psicologia da Unesp. A obra tem originado também temas que o JC vem publicando em forma de matérias desde o mês de maio, nesta seção de RH.

Especialistas definem a socialização como a estratégia para o aprendizado do novo papel na empresa, sendo que ela está muito relacionada com as práticas de gestão de recursos humanos. Entender o processo de socialização e como as práticas de gestão de recursos humanos influenciam esse processo pode lançar alguma luz no processo de mudança organizacional.

O momento de socialização é crucial para a reprodução do universo simbólico. É através das estratégias de integração do indivíduo à organização que os valores e comportamento vão sendo transmitidos e incorporados pelos novos membros. As estratégias mais usuais são os programas de treinamento e integração de novos funcionários. Os rituais de socialização desempenham, ao mesmo tempo, o papel de inclusão do indivíduo no grupo e delimitação do processo de exclusão dos demais.

Discutem-se também os processos de socialização vivenciados pelo indivíduo, sendo dois tipos, a socialização primária - onde o indivíduo se toma membro de uma sociedade. O cunho da realidade do conhecimento é internalizado quase que automaticamente pelo indivíduo, através, principalmente, da linguagem - e a socialização secundária - introduz um indivíduo já socializado a novos setores do mundo objetivo. A identificação acontece somente na medida necessária para a comunicação entre seres humanos. Sua extensão e seu caráter são determinados pela complexidade da divisão do trabalho e pela distribuição social do conhecimento de uma dada sociedade.

Prática

O conceito de socialização organizacional é aplicado na Prefeitura de Bauru. Segundo a psicóloga Neusa Maria Ferraz Valdo, diretora do Departamento de RH, cabe ao departamento oferecer o mais completo apoio aos órgãos da prefeitura, compartilhando conhecimentos, habilidades e experiências que garantam serviços de qualidade e valor agregado às pessoas. “Enquanto um dos órgãos de gestão de pessoas, cabe também a execução de políticas de desenvolvimento de pessoal, de forma articulada com os objetivos organizacionais da administração pública”, afirma. “Sabemos que as pessoas são responsáveis pelos resultados de nossas ações, tanto as que prestam serviço, quanto quem eventualmente os compra. Então, por que não nos preocupamos claramente com o que estas pessoas sabem, sentem, com o que elas temem, o que elas não sabem e enfim como podemos ajudá-las?”, questiona.

A psicóloga aponta que as organizações adotam uma variedade de táticas de socialização organizacional que diferenciam em eficácia conforme os objetivos. “Temos que dosar a combinação dessas táticas para garantir a adequação de seus objetivos”, ressalta, explicando que hoje as pessoas são mais pró-ativas em sua própria socialização, buscando informações, construindo relacionamentos e negociando mudanças no posto de trabalho.

Neusa destaca ainda que a administração tem aplicado ao longo dos anos vários projetos de socialização, com foco em três vertentes: diversidade (reconhecer e ser reconhecido pelas diferenças e diferentes); inclusão ( quebrar preconceitos, readequar em novas funções) e valorização e integração (autoconhecimento, discutir as contribuições dos serviços, como lidar com os conflitos, conciliar vida pessoal, família e trabalho). “Dentro de uma perspectiva do desenvolvimento humano, o DRH tem procurado trabalhar o desenvolvimento dos servidores, qualidade de informações e qualidade de liderança”, salienta.

No entanto, a psicóloga ressalta que o profissional tem que estar, obrigatoriamente, comprometido com seu trabalho, para que as técnicas de socialização funcionem. A qualidade, destaca, nasce da necessidade do ser humano fazer bem, por amor e por dignidade, e não apenas por obrigação ou preço. Dentro desse pensamento, a prefeitura, através do departamento de recursos humanos, já desenvolveu alguns projetos de socialização, entre os quais: Agentes multiplicadores, Conheça sua Secretaria, Integração de Estagiários e Novos Servidores, ”AdoleSER” (com menor aprendiz), Preparação de Aposentadoria, Amigos da Educação e outros de desenvolvimento humano.

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