“Eu vou morrer”, disse Antonia Fernandes Del Gaudio ao pedreiro Geraldo Antônio Costa, 46 anos. Conhecido como Dinho, ele e mais quatro pessoas tentaram desesperadamente retirar a idosa do quarto, já tomado por muita fumaça e calor insuportável.
Costa saiu do bar quase em frente ao imóvel da vítima e foi até sua casa, na quadra 18. Por volta das 14h, ao retornar, viu uma neta de Antonia pedindo socorro. Imediatamente, ele, o promotor de vendas Carlos Eduardo, 26 anos, Anésio Marcelino de Oliveira, 63 anos, e uma mulher, que preferiu não se identificar, tentaram o resgate. Eduardo diz que conseguiu abrir a porta da frente da moradia com um pontapé. Em seguida, Costa e a mulher tentaram carregar Antonia para fora. Ela estava apavorada e segurava na cama, o que, segundo o pedreiro, dificultou ainda mais a ajuda. Mesmo assim, ele insistiu por cerca de três longos minutos. Mas foi vencido pela fumaça e pelo calor que exalava de todos os lados da casa. O grupo ainda tentou usar uma mangueira d’água para ganhar tempo para o socorro, mas foi inútil.
“É coisa que a gente acha que nunca vai presenciar”, ressalta sobre a tragédia a corretora de imóveis Adriana Tomaz, 39 anos, vizinha de ‘dona’ Antonia há três meses. Do que presenciou, ela avalia que Costa e os amigos foram heróis na tentativa de resgate. Ela comenta que fazia um churrasco com o marido e os filhos nos fundos de sua casa, ao lado do imóvel que pegou fogo. Momentos antes, ouviu o som de conversa de uma pessoa da família da idosa vindo da residência dos fundos da moradia que pegou fogo. Segundo apurou o JC, pessoas da família de Antonia morariam na residência com entrada individual.
De repente, o barulho vindo da rua atraiu toda a família de Tomaz, que veio para frente imaginando ser alguma coisa no bar. No entanto, era fogo na casa bem ao lado. Ela conta que, imediatamente, sua família tirou os animais, o automóvel da garagem e saiu de casa, com medo do pior.