Um dos mais populares nomes na música baiana atualmente - e por que não dizer no pop nacional -, o Babado Novo tinha tudo para fazer um show memorável no Recinto Mello Moraes, na última sexta-feira. O público compareceu em peso e aguardava empolgado por Cláudia Leitte e os músicos do grupo. Entretanto, o que se viu foi uma série de equívocos e problemas que dificilmente passaram despercebidos e impediram os fãs da banda - da pista aos camarotes - de aproveitar ao máximo, como se espera em um evento desse tipo.
Logo ao entrar no palco, por volta de 0h40, a vocalista Cláudia Leitte pediu desculpas pela espera e justificou que a banda apenas aguardava o “OK” da produção para iniciar o show. Em seguida, ela brincou que estava usando tênis, o que significava que eles seguiriam “até de manhã” se os fãs conseguissem acompanhá-los.
Não foi brincadeira: a cantora e os músicos seguraram a animação por mais de três horas. Eles trouxeram ao palco do recinto o que estão acostumados a fazer em micaretas pelo País e no Carnaval em Salvador. Cantaram todos os seus sucessos - “Eu Fico”, “Safado, Cachorro, Sem Vergonha”, “Amor Perfeito”, “Ê Saudade”, “Piriripiti”, “Insolação de Coração”, “Doce Paixão”, “A Camisa e o Botão” - e muitas músicas conhecidas pelos fãs, saídas dos cinco CDs de sua trajetória.
Como é comum em micaretas e no Carnaval, o Babado Novo também se arriscou no funk, cantou “Leilão”, Xuxa, Turma do Balão Mágico e até o último hit da musa do Black Eyes Peas, Fergie, “Big Girls Don’t Cry”. Tudo isso ainda intercalado com músicas dos maiores nomes do axé, como Chiclete com Banana, Asa de Águia e Jammil. Cláudia Leitte buscou diversas vezes a participação do público e esse a atendeu, com braços para cima, batendo palmas ou pulando para um lado e para o outro.
A comunicação, entretanto, estava prejudicada: o microfone da cantora passou a apresentação toda com pouco volume, especialmente nos momentos em que ela falava com o público. Da área VIP, em frente ao palco, ou do fundo da pista, a reclamação de que o som estava ruim - especialmente o microfone da vocalista - foi unânime.
Porém, a situação já parecia complicada antes do show começar. Na entrada da área VIP, a aglomeração de pessoas - com e sem a pulseirinha que permitia o ingresso no espaço demarcado - era muito grande. No decorrer da noite, a área reservada para quem havia comprado o ingresso especial ficou mais apertada a cada minuto.
“Gosto muito da banda, até por isso comprei ingresso da área VIP, mas não tem condição. Tem muito mais gente do que comporta o espaço, muito empurra-empurra, é muito difícil chegar até o bar e lá está tudo quente, cerveja, água ou refrigerante”, reclamou a estudante Camila Fernandes durante o show. A superlotação da área VIP também contribuiu para a ocorrência de diversas brigas.
Um casal de namorados, que pediu para não ser identificado, assistiu o show da pista e também apontou problemas no som e na organização. “O som estava muito ruim, especialmente no fundo. Tentamos ficar mais perto do palco, mas estava muito espremido, o pessoal se apertou demais”, afirmou o adolescente.
“Havia poucos bares e banheiros. Se na área VIP as pessoas não conseguiam pegar cerveja e refrigerante, na pista não conseguíamos comprar, não tinha como chegar”, frisou a namorada. “Tinha tudo para ser um grande show, a banda é animada e a Claudinha é ótima, mas estávamos tão irritados com tudo isso que não conseguimos curtir”, completou.