Regional

Reconstituição de crime reforça acusação

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Piratininga - A reconstituição da morte de Júlio César Pires de Oliveira, 25 anos, na madrugada do último sábado em Piratininga (13 quilômetros de Bauru), morto com um tiro, esclareceu algumas dúvidas da Polícia Civil em torno do homicídio. Para o delegado titular de Piratininga Paulo Calil, a versão apresentada pelos acusados Rogério de Andrade, 26 anos, e Eder da Silva, 19 anos, não corresponde com a trajetória dos três projéteis disparados.

“Eles falam que atiraram para o alto e que não atiraram para matar. Com a reconstituição, ficou provado que eles atiraram na posição em que estavam as duas pessoas que eles queriam matar”, ressalta Calil.

Ao tentar atingir dois menores com tiros de uma arma calibre 32, Silva acabou ferindo Oliveira, que não tinha nada com o desentendimento ocorrido momentos antes. Um tiro acertou a vítima no braço direito e perfurou o pulmão. Uma segunda bala perdida atingiu o portão de ferro de uma casa na avenida Coronel Soares, esquina com a rua Doutor José Lisboa Júnior. A mesma casa foi atingida por outro projétil que atravessou a janela, a cortina e parou na parede após perfurar um quadro.

Para a sorte dos moradores, o ambiente é de passagem de visitantes para o interior da residência e, por isso, não tem permanência de pessoas por muito tempo. Uma moradora, que não quis ser identificada, disse que a família não ouviu o disparo e só percebeu que a residência havia sido alvo de disparos no domingo, um dia após o crime, ocorrido a aproximadamente 25 metros da moradia.

Calil esclarece que a reconstituição, feita sem a presença dos acusados e apenas com testemunhas, também esclareceu a movimentação de Silva e Andrade. Segundo o delegado, eles chegaram de moto pela rua Doutor José Lisboa Júnior e viraram à direita adentrando a avenida Coronel Soares, seguindo na direção do Paço Municipal. De acordo com Calil, eles identificaram os dois menores parados no “Monumento dos revoltados”, que fica bem na esquina das duas ruas e local em que os moradores costumam parar para conversar.

Sabendo onde estavam posicionados seus desafetos, a dupla voltou no sentido contrário, usando um contorno a cerca de 50 metros da esquina, e que fica bem de frente com o prédio do Paço. Passaram uma segunda vez pelos adolescentes seguindo novamente pela avenida Coronel Soares e mais a frente Silva efetuou os disparos com a moto em movimento. O delegado explica que Andrade conduzia a moto. Em seguida, os dois acusados fugiram em direção a Bauru. A reconstituição foi feita por técnicos da Polícia Técnico Científica de Bauru.

O crime, o segundo homicídio neste ano na cidade, mobilizou os comentários da população de Piratininga. Tanto que a comerciante Paula Carlete Soares, 29 anos, diz que todos a procuram para que contasse detalhes do crime, que ocorreu muito próximo ao seu bar. “Já estávamos fechados quando aconteceu”, explica Soares, dizendo que fechou seu estabelecimento por volta das 0h30 de sábado.

Briga

Conforme matéria do JC na edição deste domingo, Silva e Andrade estavam em um bar acompanhados de duas mulheres, todos de Bauru. Por volta da 1h30, eles e dois menores de idade, residentes em Piratininga, iniciaram uma briga. A turma do “deixa-disso” conseguiu apaziguar os ânimos. O grupo voltou a Bauru em um veículo. Mas cerca de 20 minutos após, retornaram para cometer o homicídio, segundo o delegado.

Ontem, na calçada da esquina entre as duas vias, era possível ver o rastro de sangue deixado por Júlio César Pires de Oliveira, morador de um haras em Bauru. Após ser atingido, ele ainda andou do monumento em direção à rua Doutor José Lisboa Júnior.

Os autores do disparo foram detidos na quadra 35 da avenida Castelo Branco. Ambos confessaram a autoria e Andrade foi autuado como co-autor do crime. Os dois foram conduzidos à Cadeia Pública de Avaí, onde ficarão à disposição da Justiça. De acordo com informações da polícia, Andrade tinha saído da cadeia, onde estava preso desde 2003 por roubo. Se condenados, os acusados podem até 30 anos de reclusão.

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