Em nome dos moradores, vizinhos, comerciantes e amigos do nosso querido Jardim Panorama, preciso, através desse nomeado jornal, exemplo de cidadania, registrar o quanto é absurda e inócua, para possíveis benfeitorias de nossa “Sem Limites”, a “venda” de uma rua (Albino Tâmbara), que, por força de criatividade do povo desta região, pertence ao nosso bairro.
Pertencer não no sentido de propriedade, mas no sentido de identificação e peculiar interesse deste local, tão preterido e só lembrado em razão do “negócio” bem pouco lucrativo para nossa Bauru, tão machucada e esquecida pelo poder executivo.
Perplexidade vem causando na população como um todo, a falta de logística dos secretários municipais e dos nobres edis, quando, ainda, colocam em discussão um assunto que até o cidadão de cultura mediana refuta, pois o dinheiro da venda da rua não será suficiente para asfaltar nem mesmo a menor avenida e nem a rua de menor extensão do bairro mais simples de nossa cidade. Ocasionará, sim, a despersonalização do Jardim Panorama, no alto de sua postura geográfica, por um resultado que não trará, de concreto, nem mesmo concreto para a mínima obra essencial, independente da benfeitoria vislumbrada por tantos secretários municipais.
Para se ter uma idéia, o produto da venda da rua tão cobiçada por estrangeiros, não conseguirá nem atender um projeto emergencial na área da saúde, por um dia. Sem falar que não será suficiente para manutenção e reforma de uma pequenina escola municipal.
Reflexiva e silente, viajei pelo trem do tempo, constatando que, se esta fosse a forma de atuar de outros administradores públicos, não haveria o Bosque da Comunidade, recanto tão saudável para crianças, jovens e idosos. Aliás, o único espaço ambiental para pessoas solitárias e limitadas pelo tempo.
Se tivessem sido vendidas as ruas da antiga “Chácara do Abelha”, se não me falha a memória, não teríamos o maravilhoso Parque Vitória Régia, cartão-postal da cidade. Conheçam antes e depois dessa arquitetura.
Ilustres leitores, a história registra o grande e não a pequenez no fazer. E não esquece jamais o traidor. Criar alternativas saudáveis e coerentes no Plano Diretor, constitui a arte mais simples. Basta querer, com modernidade, pensando que no momento veloz da globalização, tudo, ou melhor quase tudo, é viável. Não é permitido administrar como um simples comerciante. Atos de comércio têm sua própria esfera.
Basta olhar com amor a sua cidade. Não existe nenhum plano fechado para a pujança e melhoria. Isso é conversa de acomodados. As cabeças, sim, fecharam em razão de subordinação dependente. O homem é o estilo!
Se essa rua, se essa rua fosse minha.., como na música, eu a deixaria no Panorama, que, depois de tantos buracos, escuridão, e poucas moradias, ela iria ser uma rota a mais para um bairro que no passado (25 anos) não tinha entrada e saída definidas. Lembram-se dessa fase ou esqueceram também?
No próximo núcleo habitacional, no momento do sorteio das casas, economizem tempo e escolham as ruas que serão vendidas. Quem sabe os moradores se interessem também por uma...
Quero que saibam que, no nosso bairro, reina união e parceria, que, juntamente com a Paróquia Universitária, mais parece um condomínio fechado. Os vizinhos conversam na calçada como nos bons tempos, trocam idéias, pedem sugestões e trocam até receitas caseiras. Todos são chamados pelo nome e a comunicação é muito rápida e eficaz.
Há pouco tempo, mudaram a rota da Getúlio Vargas, mas resguardaram a natureza, através de uma árvore frondosa, que fez ali seu maior projeto arquitetônico. A árvore não estava nos planos, mas indiferente aos detalhes, consolidou-se como uma esfinge esculpida pelo vento. Era o grande que marcava sua existência.
Peço aos contabilistas que somem e depois verifiquem que vão desvestir um santo, sem saber se dará para vestir outro. Coisa antiga, mas na política tem fundamento. Administrar e zelar pelo município é cláusula petra, mas vender uma rua com infinitas utilidades constitui atitude imatura, mais parecendo um improviso de teatro mambembe. E a rua não é algo tão volante assim.
Catarina Carvalho - cidadã que concorda com o poeta quando diz: “Bauru, cidade de espantos!”