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Censura da sociedade diminui, mas solteiros enfrentam pressão biológica


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A opção de viver sozinho, sem se casar ou ter filhos, já é encarada com mais naturalidade pela sociedade. “Desde a guerra fria (meados do século passado), a pressão que a sociedade faz para o indivíduo se casar diminuiu”, afirma o psicólogo e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru que estuda o comportamento humano, Sandro Caramaschi. Mas, para viverem sós, os solteiros têm que vencer um outro obstáculo: o biológico. Hoje, Dia do Solteiro, cerca de 83 mil bauruenses, 23% da população da cidade, podem comemorar a data porque ainda não se casaram.

“Existe um time (tempo) biológico nas pessoas. Mulheres e homens sentem a necessidade de se reproduzirem”, explica o psicólogo. A maioria das pessoas encontra seus parceiros quando é adulto jovem – na faculdade ou logo depois de se formar. “Só 4%, segundo estudo da USP (Universidade de São Paulo), se casam com aqueles que conheceram em uma festa”, revela.

Depois, com o passar do tempo, a tendência é o indivíduo ficar cada vez mais seletivo. “As pessoas tornam-se mais exigentes. Por outro lado, o número de indivíduos disponíveis para uma relação amorosa também diminui”, conta Caramaschi. Então, seja por ter enfrentado desilusão amorosa ou por opção, muitos ficam solteiros. Mas esses não representam a grande maioria. “É possível, sim, ser solteiro e feliz, mas só depois de vencer a barreira social e biológica”, conclui.

A ‘solteirice’ também pode vir em uma fase na vida. É o caso do técnico em telemarketing Héber Pereira, 24 anos. Há 10 meses está solteiro, por opção. “Só pretendo conhecer alguém e me casar depois dos 29 anos. Até lá, não quero compromisso sério”, diz. Ele já namorou por três anos e até usou aliança. Entre as recordações desagradáveis, está a cobrança exagerada. “Tinha que dar satisfação de tudo o que fazia, com quem saía e a que horas ia voltar. Não gostava disso”, conta.

Na fase em que está, ele gosta de sair com os amigos, aos finais de semana, para curtir um forró universitário. “Sou animado e gosto de me divertir”, conta. Mas faz planos para o futuro. “Só vou me casar quando encontrar a pessoa certa. Por enquanto, moro com meus pais, onde tenho tudo o que preciso”, diz.

O psicólogo também explica esse comportamento dos jovens da ‘geração canguru’. “Até mesmo na vida adulta, eles optam por morar com os pais porque não querem diminuir o padrão de vida. Também se sentem mais seguros”, completa.

A estudante Alline Michele Ribeiro, 19 anos, também quer esperar mais uns cinco anos para se envolver em um relacionamento amoroso sério. “Quero prestar vestibular, fazer faculdade de psicologia e se estabilizar financeiramente. Só depois, vou procurar alguém para namorar e casar”, diz. Ela já sofreu uma desilusão amorosa e, agora, quer pensar em si mesma. “Estou feliz sozinha. Só vou namorar novamente quando me sentir preparada”, anuncia.

Segundo Caramaschi, muitas pessoas que ficam um tempo sozinhas ou em relacionamentos sem compromisso, sentem um ‘vazio’. “Com o tempo, ambos buscam um par. Para o homem, a aparência física é fator importante na hora de buscar um par. Para a mulher, o que pesa é o fato de vincularem um relacionamento com a vontade de ter filhos”, resume.

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