Geral

Paulo Medina morre aos 79 anos

Por Luiz Galano | Colaborou Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 4 min

Poucos conseguiam organizar eventos em Bauru, especialmente festas de casamento, de debutantes, coquetéis e aniversários de 15 anos com grau de qualidade comparável aos realizados por Paulo Medina, fundador e sócio proprietário do Buffet Capristor, conhecido nacionalmente. Homem que dedicou seus 79 anos de vida para eternizar momentos felizes de diversas famílias, Medina morreu às 3h da madrugada de ontem e deixou um pouco “órfão” o setor de eventos. O “pai” do requinte faleceu em casa, após infarto fulminante.

Ele foi velado por centenas de amigos e parentes no Centro Velatório Terra Branca, com benção do monsenhor Almir Cogiola e a presença do Coral Arte Viva, regido pela maestrina Sônia Berriel. O sepultamento ocorreu ontem, às 17h, no Cemitério da Saudade.

Reverenciado pelo bom gosto e a competência, Medina era a grife bauruense de eventos. Além de empresário, Medina era um artista. O menino, nascido na cidade de Promissão, em 1928, iniciou a vida carregando malas de hóspedes de um hotel em frente à alfaiataria do pai e já na adolescência se envolveu com decoração, vendendo tecidos na Casa Moreira da cidade.

Independente e precoce, mesmo com a vinda da família para Bauru, em 1941, ele decidiu continuar na cidade natal. Os ares bauruenses só passaram a ser respirados por ele em 1945, quando se mudou para o município e começou a trabalhar como decorador de vitrines na antiga Casa Luzitana, habilidade que lhe rendeu diversos prêmios e reconhecimentos em todo o Estado.

Já totalmente inserido no meio da decoração, sendo responsável pelo visual de diversas festas da cidade, Medina decidiu iniciar um empreendimento próprio e montou uma loja de produtos finos, a Capristor, que por muitos anos funcionou na rua Batista de Carvalho. Poucos anos depois, resolveu entrar de cabeça no ramo das festas e abriu o Buffet Capristor, que cresceu rapidamente.

O sucesso obtido com o buffet tem explicação. Segundo a família, e como ele próprio se descrevia, Medina era um verdadeiro workaholic perfeccionista. “Sou até chato. Estou sempre olhando tudo nos mínimos detalhes para garantir que esteja perfeito”, disse em entrevista recente ao JC. Mas, além de perfeccionista, Medina é descrito pelos amigos mais próximos como um apaixonado pelo trabalho. Fazia questão de cuidar de cada detalhe de qualquer trabalho para qual era contratado. Com profissionalismo extremo, Medina sempre ia além do que se esperava dele.

Por causa disso, Medina conquistou o respeito de todos os que os cercavam: tanto de quem trabalhava com ele quanto de quem o contratava. E por causa do respeito com que tratava a todos, conquistou inúmeros amigos.

Como organizador de festas, Medina tinha um cotidiano atípico, sem regras, horários ou rotina definidos. Com tanta energia despendida durante os dias, para organizar, e durante a noite, para comandar e fiscalizar os detalhes, ele mesmo confessava que trocava, sem ressentimento, os pratos de comida mais apetitosos por bons minutos de sono, isso mesmo se estivesse com fome.

Entre familiares e amigos, Medina também não dispensava uma boa festa. Considerado um verdadeiro irmão para as pessoas mais próximas, uma de suas virtudes em encontros particulares era a criação de apelidos a qualquer cidadão que conhecesse. Em família, a fidelidade e a prestatividade são palavras unânimes.

O irmão, Inocêncio Medina Garcia, 74 anos, emociona-se ao falar de Paulo. “Sempre tivemos muita amizade. Sempre foi um homem muito correto e decente e deixou uma marca muito forte na cidade, com lojas de alto padrão e com o buffet”, afirma. “Ele sempre tinha o calendário ocupado para o ano todo por sua competência. Defeitos a gente não conhecia porque ele não tinha”, fala.

Exemplo

O sócio Marcelo Garcia e a esposa Beatris Garcia também só guardam boas lembranças de Medina. “O que fica é o carinho e uma saudade muito grande”, diz Beatris. “Ele nos deixa o exemplo de determinação e força que teve durante toda a vida”, completa Marcelo.

O empresário Alcides Franciscato lembra que a cidade perde um ser humano e profissional diferenciado e muito admirado. “A família Franciscato e os nossos parceiros dos grupos Prata e Cidade também perdem um grande amigo”, afirma o empresário. Para Franciscato, Medina, além de ter contribuído para a divulgação de Bauru em todo o Brasil, através do seu trabalho e pelo seu talento, deixa um grande exemplo de dedicação e competência, não só para pessoas que conviveram com ele no dia-a-dia, mas para toda cidade.

Para o empresário Caio Coube, que por intermédio da família conheceu Medina ainda na infância, o amigo era um ícone da elegância e do bom gosto. “Ele é uma pessoa de muito valor, que teve êxito na vida profissional, principalmente por todo o comprometimento e disposição que tinha no trabalho”, afirma. “É uma grande perda. Mas ele deixa todo um legado e, com certeza, entra para a história da cidade, sendo lembrado e reverenciado por ser o organizador das festas mais requintadas de Bauru”, completa.

Paulo Medina Garcia deixa a esposa Irene e a filha Paula, de 36 anos, que atualmente vive na Inglaterra. Ele agora se encontra com o filho Rodrigo, morto aos 16 anos, num acidente automobilístico. Segundo a esposa, fica a lembrança da dedicação e do amor à família e aos filhos. “O nascimento das crianças foi um fato marcante na vida dele”, afirma. “Para Bauru, fica o exemplo de um homem que sabia, como ninguém, organizar um evento de bom gosto.”

Comentários

Comentários