Cultura

Grupo Blues Etílicos e The Wild Magnolias encerram Festival Sesc’n’Blues nesta noite

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 4 min

Foram necessários 20 anos carregando gaitas, trompetes, guitarras, baixos e baquetas para o Blues Etílicos suportar o peso do blues man Muddy Waters. Em sessões ao vivo em um estúdio de São Paulo, os músicos gravaram “Viva Muddy Waters”, lançado em abril deste ano. São 11 canções que serão apresentadas na íntegra no show desta noite, às 21h, no Serviço Social do Comércio (Sesc). The Wild Magnolias também se apresenta hoje, no último dia do Festival Sesc’n’Blues.

Tanta cautela para enfim penetrar no “solo sagrado” de Muddy Waters é explicada pelo gaitista e fundador do Blues Etílicos, Flávio Guimarães. “Aparentemente, o blues é uma música fácil de tocar. Mas, para tocar direito, para ficar bom, requer uma série de sutilezas e detalhes. E são esses temperos que fazem o blues ficar legal”, diz.

Ainda mais se o blues em questão levar a alcunha de Waters. “Para tocar o repertório dele é preciso estar preparado, porque tem uma riqueza de arranjos, variações de ritmos na mesma música e canções bem construídas”, salienta o gaitista, que já acompanhou nomes como Buddy Guy.

O respeito a um dos grandes mestres do blues percorre todo o álbum, como fica nítido na gravação, feita ao vivo em quatro dias, com boa parte das músicas captadas logo no primeiro take. O certinho demais - quando o som de cada instrumento é gravado separadamente, como costuma ser os processos de gravação atuais – soa falso, perde o encanto, opina Guimarães. “O resultado ficou muito mais real, com uma energia diferente. E o blues é isso, é energia, é sentimento”, define o músico.

Mas, apesar de preservarem a essência da música de Muddy Waters, o álbum está longe de um disco cover. É a visão da banda sobre as canções do blues man. “A gente evita tocar da mesma forma”, explica Guimarães. Integram ainda o quinteto: Greg Wilson (vocal, guitarra, trompete), Otávio Rocha (guitarra), Cláudio Bedran (baixista) e o integrante mais novo, Pedro Strasser (baterista), há somente 14 anos na banda.

Etílicos

A tradicional melancolia do gênero, o Blues Etílicos domina com técnica apurada. Mas, como uma banda brasileira, um pouco de humor cai bem, e isso os músicos têm de sobra. Quer uma prova? Então, desce logo a cerveja, o uísque, porque o quinteto é bom de copo. “A temática etílica tem muito a ver com o blues, assim como o rock”, explica o gaitista Flávio Guimarães.

E a vasta experiência de bar em bar se transformou em músicas engraçadas que misturam o blues e ritmos brasileiros. Uma pequena mostra será oferecida nesta noite com “Dente de Ouro”, uma música de capoeira; “Cerveja”; “Terceiro Whisky” e “O Sol também me levanta”, uma clara alusão à ressaca.

Mais sobre o trabalho do grupo, inclusive com músicas disponíveis para downloads, pode ser encontrado nos sites www.myspace.com/bluesetilicos e www.bluesetilicos.com.br .

• Serviço

Festival Sesc’n’Blues com Blues Etílicos e Wild Magnolias hoje, às 21h, no ginásio de eventos do Sesc (avenida Aureliano Cardia, 6-71). Ingressos por R$ 2,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes), R$ 4,00 (usuário inscrito, estudantes com comprovante, professores da rede pública e maiores de 60 anos) e R$ 8,00 (outros). Mais informações: (14) 3235-1751.

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Carnaval importado

Imagine uma mistura de ritmos latinos, afrocaribenhos e jazz, temperada com muita alma e energia - como tudo em Nova Orleans, nos Estados Unidos.

Só que além dessa fórmula, o Wild Magnolias, que se apresenta nesta noite no Sesc, ainda conta com incríveis performances que preservam o “Mardi Gras Indians”, uma espécie de carnaval americano.

Todos os anos, as várias “tribos” de “Mardi Gras Indians” confeccionam novas fantasias – bem parecidas aos figurinos das escolas de samba do Rio de Janeiro – cada uma com um tema de justiça social. Durante a festa, as tribos estréiam seus novos visuais em desfiles da rua, chamados “second-lines”, que incorporam também cantos tradicionais onde se misturam ritmos indígenas e africanos.

No caso dos Wild Magnolias, estes cantos se transformaram em músicas animadas e dançantes.

Um som fantástico que mistura blues e funk com muita percussão em shows próprios e em turnês com artistas como Robbie Robertson, Lionel Richie, Bob Dylan e The Neville Bros.

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