Ribeirão dos Porcos! Eta ribeirão bom de peixes, nunca deixou ninguém na mão. Sempre que nós íamos lá, os viveiros sempre cheios de lambaris, piavas, piaparas e os bigodudos, não havia a tal de poluição que está acabando com os nossos rios.
Fomos em quatro a fazer uma pescaria no dito cujo ribeirão, eu, o Armando Bigaroto e dois empregados meus, o Toshio e o Américo, que já não estão mais entre nós – os três já partiram para outra.
Chegamos cedo, para aproveitar o dia, e cada um com sua tráia saiu à procura de um poço para pescar, aquele dia estava bom pra peixe. À tarde, já com os viveiros cheios, e como estava a escurecer, eu fui chamar a turma para ir embora, mas eles queriam ficar à noite e pegar alguns bigodudos.
E cada bagre que nós pegávamos lá ia um gole de 51 na goela, vocês já viram no que deu? E assim foi até as duas horas da madrugada. Acendemos uma fogueira e tiramos os sapatos, todos molhados, e fomos deitar debaixo da ponte, e com a cara cheia foi fácil pegar no sono. Não sei a hora, a fogueira já estava apagada, quando nós acordamos com um bando de ratazanas querendo roer os nossos pés e foi um sufoco danado para afugentá-las.
Depois daquele susto não foi mais possível nós dormirmos outra vez. Esperamos o dia clarear para arrumar as tráias para voltarmos para casa. E o pior de tudo é que a cachaça tinha acabado, mas foi uma pescaria para deixar saudades, apesar das ratazanas.
Florindo Martins é pescador e contador de histórias.