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Numa proposta inédita, camêlos querem parar de vender CDs e DVDs pirateados

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 2 min

A situação é inusitada: há anos camelôs vendem CDs e DVDs pirateados, contra o que as grandes corporações e artistas lutam. Mas, agora, em Bauru, os próprios ambulantes estão anunciando que querem parar de comercializar este tipo de mercadoria. Alegando estarem sendo pressionados a deixarem de trabalhar com itens pirateados, sem no entanto, explicar quem faz a pressão e de que forma, ontem a diretoria da Sindicato dos Trabalhadores da Economia Informal de Bauru e da Associação dos Trabalhadores da Economia Informal se reuniram ontem na Câmara Municipal da cidade com cerca de 80 vendedores ambulantes para discutir o assunto.

A maioria dos camelôs concorda que a venda dos produtos falsificados infringe a lei. No entanto, eles não têm idéia de como podem fazer para substituir a renda proveniente da venda de CDs e DVDs pirateados, considerados artigos que mais lucro dão aos ambulantes. Tanto o sindicato quanto a associação da categoria ressaltam que a medida acarretará prejuízo para os ambulantes da cidade – são 180 cadastrados.

Além disso, confessam que será muito difícil erradicar a venda desses artigos pirateados, amplamente consumidos pela população. No entanto, se espelham no passado, quando cigarros ilegais deixaram de ser comercializados, para acreditar que é possível substituir a venda dos CDs e DVDs por outros produtos.

“Temos que ter tempo para nos adequarmos, para que os comerciantes que possuam mercadoria em estoque possam desová-las. É um processo longo e difícil porque hoje não vemos nenhuma mercadoria de giro rápido para substituir esses itens na venda”, afirma Mário Augusto dos Santos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Economia Informal de Bauru.

Camelô há 15 anos, José Carlos Lopes também não encontra uma alternativa viável para a decisão de parar de vender os itens pirateados. “Temos que ver a melhor maneira de nos enquadrarmos à lei e isso só pode acontecer quando encontrarmos uma mercadoria de saída rápida para fazer a substituição”, diz.

Já para Edna Maria Ribeiro, é praticamente impossível acabar com os CDs e DVDs ilegais. “A gente pode até tirar da banca, mas tem muita gente que sobrevive exclusivamente da venda desse tipo de produto. Acho que não é possível parar totalmente de vender”, afirma. Durante a reunião, houve até mesmo manifestações de camelôs defendendo a retirada dos produtos das bancas, mas a continuidade de sua comercialização.

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Cerco fechado

Os camelôs que insistirem em comercializar CDs e DVDs pirateados provavelmente ficarão sem mercadoria. A partir da próxima segunda-feira, a Polícia Civil promete apertar o cerco contra a prática, mobilizando efetivos para fazerem fiscalização principalmente na região central da cidade, local com maior concentração de ambulantes em Bauru.

“A partir de segunda-feira, todo o ambulante que for flagrado vendendo esses produtos terá toda a mercadoria apreendida, será encaminhado à delegacia, onde será registrado o boletim de ocorrência, e posteriormente irá responder um processo pela comercialização dos itens ilegais”, revela o delegado seccional Donizeti José Pinezi.

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