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Midas e Mecenas


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Ambos eram reis na Antigüidade e seus nomes são lembrados até hoje: Mecenas é sinônimo de incentivador das artes, enquanto o “toque de Midas” caracteriza aqueles que conseguem transformar o que tocam no “ouro” do sucesso. Entretanto, o dom concedido pelos deuses gregos a Midas transformou-se em castigo, pois, embora acumulasse riquezas infindas, não podia amar ou alimentar-se, afinal, tudo o que tocava virava ouro! A riqueza material, conquistada ou herdada, não é, portanto, garantia de felicidade se não vier acompanhada de elevação de espírito. Também é verdade ela pode provocar inveja e instabilidade social, comprometendo a felicidade de todos. Prova disso são os enormes gastos pessoais e governamentais com segurança.

O remédio, tanto nos tempos antigos como nos atuais, é humanizar a riqueza dividindo um pouco do que nos sobra com os que nada tem, dando-lhes motivação, esperança e oportunidade de desenvolverem seu potencial em prol da sociedade. O governo deve fazer sua parte mediante atividades diretas ou oferecendo incentivos tributários aos que investem em projetos sociais, culturais e esportivos. Muitos empresários têm correspondido a essas expectativas, financiando atividades de inserção social e revelação de talentos, principalmente na área esportiva, que tem maior alcance mercadológico.

Mas, e a cultura? É certo que é mais fácil obter retorno publicitário financiando grandes espetáculos, com artistas famosos em teatros confortáveis, e cobrando ingressos incompatíveis com o poder aquisitivo da maioria da população. Isto, no entanto, conduz ao distanciamento do povo da cultura erudita. No caso da música clássica - que um dia já foi popular - a situação é agravada por protocolos rígidos e pelas atitudes elitistas de alguns “cultos” e “estrelas”, que com seus estereótipos e arrogância em nada contribuem para a popularização da grande arte, com mútuos benefícios. Mas isto está mudando: governos e empresários estão despertando para a necessidade de garantir mais que alimentação, trabalho, saúde e educação a todos, como forma de assegurar estabilidade social e desenvolvimento. A fome do povo não é apenas de comida, mas, também, de cultura! Mas, se não faltam projetos, falta o inestimável apoio para socializar seus benefícios.

Não seria maravilhoso se orquestras e corais pudessem se apresentar regularmente e levar as obras dos grandes compositores clássicos e populares até às escolas, clubes e todos os locais onde elas proporcionassem a mesma emoção e prazer? Essa não é - e não deve ser - uma tarefa solitária! Ela precisa do apoio de mecenas, que com seus “toques de Midas” levem o ouro da cultura ao coração do povo e, assim, alimentem, também, sua alma. É como diz a música dos Titãs: “Diversão e arte, para qualquer parte!”.

O autor, Adilson Luiz Gonçalves, é escritor, engenheiro, e professor universitário

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