A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) efetuou a padronização de velocidade - colocação dos mesmos limites horários ao longo das ruas - em trechos das avenidas Nações Unidas e Getúlio Vargas e realizará estudos para implantar a mesma modificação em outras também consideradas como as principais vias da cidade.
A informação é do presidente da autarquia, Carlos Alexandre Barbieri, que ressaltou que as alterações estão sendo executadas dentro das possibilidades operacionais da própria Emdurb e do sistema viário bauruense. Há pouco mais de dois meses, entretanto, Barbieri rejeitou a medida, depois de receber críticas do Legislativo.
Na Nações Unidas, o trecho localizado entre a rotatória de acesso ao Jardim Contorno até as proximidades da quadra 43 foi um dos que teve a velocidade padronizada para 60 km/h, ficando sem as placas de 50 km/h anteriormente existentes. “Fizemos um estudo para a instalação do radar (leia texto nesta página) e aproveitamos para fazer a padronização. Fizemos um levantamento simples, vimos que a velocidade média está perto da máxima permitida e daí tiramos as outras placas com limites menores de velocidade”, explicou Barbieri. “Também tiramos as placas de 40 km/h da Getúlio Vargas, concretizando a padronização”, acrescentou.
O presidente da autarquia salientou que a padronização tornou-se solicitação constante de diversos vereadores, como Paulo Eduardo Martins Neto (DEM), os tucanos Antonio Carlos Garmes e João Parreira e Primo Mangialardo (PV), que anteontem encaminhou ofício à Emdurb solicitando a medida nas vias expressas e normais da cidade, principalmente nas avenidas Nações Unidas, Getúlio Vargas, Cruzeiro do Sul, Comendador José da Silva Martha, Elias Miguel Maluf, José Henrique Ferraz e Lúcio Luciano.
“É uma necessidade que a Câmara já vem se empenhando há certo tempo. Mas qual foi sempre a escusa que os técnicos davam para não realizá-la: que nosso sistema viário não suportava determinadas velocidades. Entretanto, isso é um problema que o Estado está tendo, pois os órgãos de trânsito estaduais se organizaram e criaram um evento, que ocorrerá na próxima semana, que tratará especificamente da homogeneização da velocidade no trânsito”, destacou Barbieri, para depois completar:
“Pedimos para o encarregado que cuida da parte de fiscalização, aferições de velocidade e da homogeneização de velocidade da Emdurb participar desse evento a fim de acompanhar e participar dos treinamentos e capacitações, além de levar nossos problemas para tentar discuti-los com outros municípios.”
Estudos
Tão logo o técnico retorne do evento, esclareceu Barbieri, a Emdurb iniciará estudos para aplicar a padronização de outras vias municipais. Entre os “alvos”, o presidente da autarquia contou que terão prioridade as avenidas de maior utilização na cidade, como Duque de Caxias e outros trechos da Nações Unidas, além da Rodrigues Alves, Comendador José da Silva Martha, Cruzeiro do Sul, Elias Miguel Maluf, José Henrique Ferraz e vias arteriais nos bairros, entre outras.
“Mesmo que esses locais não sejam executados esse ano, a idéia é ir fazendo até finalizar todos os pontos. O objetivo principal é, se não conseguirmos colocar uma velocidade um pouco mais alta, homogeneizar. Por exemplo, limitar em 50 km/h uma via inteira sem a presença de placas de 30 km/h ou 40 km/h”, frisou Barbieri.
O presidente da Emdurb adiantou também que a autarquia estudará soluções para as limitações às padronizações impostas pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB) (leia texto nesta página), como a obrigação de limitar em 30 km/h trechos próximos à lombadas. “Ainda estamos discutindo tecnicamente como resolver esses e outros problemas técnicos levando em consideração a capacidade de suporte do sistema viário. Isso passa por uma série de adequações que a secretaria de Obras já começou a executar e estamos trabalhando em conjunto”, destacou Barbieri.
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Limitações
O engenheiro de trânsito Archimedes Raia Júnior explicou que a decisão de padronizar ou não a velocidade em uma via é muito mais uma questão operacional do que de legislação. “A competência para determinar a velocidade da via é da autoridade municipal de trânsito. E, quando não houver indicação de velocidade, prevalece a velocidade estabelecida pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), cabendo à autoridade alterá-la conforme a necessidade”, destacou.
Raia Júnior esclareceu que as diferenciações de velocidades em vias são provocadas, normalmente, pela existência de lombadas ou radares. “Geralmente isso ocorre em razão da lombada, pois o radar normalmente mantém a velocidade do trecho da via. Por isso, ou se padroniza pela velocidade do obstáculo, que é muito baixa, ou permite-se velocidade maior na via. A Nações Unidas, por exemplo, se em um determinado trecho, como uma travessia de pedestres, precisar de velocidade menor, estabelece-se um limite menor para esse ponto. Senão toda a via será padronizada em velocidade muito baixa”, enfatizou o engenheiro.
Ele lembrou, ainda, que a ausência de padronização também pode se originar em pedidos da comunidade. “As pessoas reclamam do perigo e pedem lombadas para reduzir a velocidade, mas daí a autoridade implanta e os motoristas acham que há variação de velocidade. Por isso, o problema pode ser conseqüência das solicitações da sociedade”, finalizou.