Emprestar dinheiro de bancos ou financeiras se transformou numa situação cômoda e atrativa para o consumidor. O problema é que, na maioria das vezes, as pessoas agem por impulso e não pensam nas armadilhas em que podem cair ou nos prejuízos que uma atitude não planejada pode gerar. Cautela é fundamental.
Atualmente, com o crédito fácil, o endividamento é um dos principais motivos que levam as pessoas a buscar recursos nas instituições financeiras. O problema é que a maioria toma o empréstimo sem avaliar aspectos importantes do contrato, como a taxa de juros, por exemplo.
Por outro lado, também não são poucos os que aderem ao crédito no banco para fazer investimentos que não são tão necessários no momento. O consultor financeiro Carlos Eduardo de Oliveira diz que o objetivo do empréstimo é o principal ponto que deve ser levado em consideração por quem pretende tomar recurso no banco.
“A finalidade do empréstimo é importante para saber se compensa ou não assumir o compromisso. Muita gente se preocupa apenas com a parcela que cabe no bolso, mas se esquece da questão dos juros. As financeiras baixam o valor das parcelas, mas aumentam o número de pagamentos”, ressalta.
Antes de fechar o negócio, Oliveira orienta algumas medidas que podem fazer muita diferença mais tarde. Segundo ele, é importante saber o valor líquido que será liberado, além do custo da Tarifa de Abertura de Crédito (TAC).
No caso de quem tomar um empréstimo para comprar carro, também é fundamental ter a certeza do valor mensal que será cobrado pelo banco sobre as faturas do boleto. Trata-se de uma taxa, denominada lâmina, cuja cobrança é comum em financiamentos de veículos. O custo gira em torno de R$ 3,00, o que significa que o ônus sobre quem financiar o veículo em 48 meses será de R$ 144,00. “São valores que acabam pesando muito para quem vai adquirir o empréstimo”, acrescenta Oliveira.
Imprevistos
O consultor financeiro lembra que empréstimo com prazo longo de amortização é arriscado por conta dos imprevistos que podem ocorrer até sua liquidação total. Este problema está sendo enfrentado por uma agente de cobranças, cujo nome preferiu que não fosse divulgado. Ela assumiu dois empréstimos, um de R$ 2.500,00 e outro de R$ 300,00, mas como perdeu o emprego, não está conseguindo pagar as parcelas. “A gente acaba agindo por impulso e depois sofre as conseqüências. Depois que a gente faz (o empréstimo), percebe a dor de cabeça que ganhou”, comenta.
A agente conta que tomou um dos empréstimos para ajudar o pai a reformar um carro e o outro, com a finalidade de pagar dívidas. “Não compensa. Se eu pudesse voltar atrás, voltaria. A dívida virou uma bola de neve e meu nome foi para o SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) e Serasa. Não consigo fazer mais nada”, disse.
Para Oliveira, a situação vivida pela agente de cobranças é reflexo de uma cultura financeira imediatista, muito comum no Brasil.
“O brasileiro quer adquirir primeiro para depois pagar. Isso tem que mudar. O certo é efetuar uma poupança para que possa adquirir o bem à vista, além de diminuir o valor daquilo que se está comprando”, enfatiza.
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Poupar
Apesar de parecer difícil e até impossível em muitos casos, poupar para depois comprar é o procedimento mais viável e saudável financeiramente, segundo calcula o consultor financeiro Carlos Eduardo de Oliveira.
Conforme projetou, a pessoa que assume um empréstimo no valor de R$ 1 mil com taxa de juros de 5% ao mês num prazo de 12 meses, pagará ao final R$ 1.795,86. “É muito dinheiro. Agora, se ela guardar R$ 100,00 por 12 meses, conseguirá R$ 1.200,00, sem computar os juros. O benefício é muito maior em todos os sentidos”, destaca Oliveira.
O consultor também orienta que, mesmo os endividados, devem pisar no freio antes de recorrer ao crédito bancário. Ele sugere a tentativa de negociação com o credor, sempre levando em consideração o total de juros embutido.
“O mais indicado é a renegociação, se ela for compensatória. Se não, buscar recurso em banco onde já é correntista pode facilitar o crédito e melhorar a taxa de juros”, completa.