Bofete - Após três semanas, termina hoje a maior campanha de teste da Hepatite C já realizada no Brasil. Cerca de 4,5 mil pessoas foram testadas no município de Bofete, na região de Botucatu, cuja população é de cerca de 6,5 mil habitantes.
Segundo o diretor-presidente da Organização Não Governamental (ONG) “C tem que Saber C tem que Curar”, Luiz Francisco Gonzalez Martucci, foram detectadas 19 pessoas portadoras da Hepatite C no município, em um universo de dois terços da população que passaram pelo teste.
“Sem esta campanha de detecção precoce, eles jamais saberiam que têm esta doença porque ela não apresenta sintomas. Todos (os portadores) foram encaminhados para o Departamento de Gastroenterologia da Unesp de Botucatu para tratamento”, explica Martucci, lembrando que o tratamento é gratuito.
O presidente da ONG explica que a campanha realizada em Bofete é a maior já feita no Brasil. “A segunda maior campanha do Brasil está sendo feita pelo Ministério da Saúde no Rio de Janeiro, com 1,7 mil pessoas”, revela.
A campanha em Bofete foi uma parceria entre a ONG, a Prefeitura Municipal e o Departamento de Gastroenterologia da Unesp de Botucatu. A adesão dos moradores de Bofete foi maciça, sendo que a maioria compareceu a um dos cinco postos de saúde do município para passar pelo exame.
Martucci lembra que o teste é diferente do que é feito pelo sistema público de saúde. “Basta uma picada no dedo e o resultado sai em 10 minutos”, conta. No teste tradicional, segundo ele, é necessário colher a amostra de sangue com uma seringa e enviá-la para o laboratório, sendo que o resultado leva cerca de 10 dias para ficar pronto.
“É um teste que está em uso no mundo há apenas seis meses. É uma novidade no mercado mundial”, garante o diretor, ressaltando que, no Brasil, pouquíssimas pessoas estão utilizando o novo procedimento.
Os kits para realizar os testes, doados por laboratórios farmacêuticos, foram aprovados pela FDA (Agência de Controle de Alimentos e Medicamentos dos EUA) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “É um grande avanço tecnológico”, acredita Martucci, se referindo ao novo procedimento.
A próxima etapa é a conclusão do estudo que está sendo elaborado pelo médico gastroentereologista Giovanni Faria Silva, professor do Departamento de Gastroenterologia da Unesp de Botucatu. “Será feito um estudo científico da rota do vírus. Ele vai mapear onde está o vírus na população, ou seja, se está no branco, no negro, em qual faixa etária, em qual sexo, etc. Ele está fazendo uma pesquisa científica nesses pacientes”, conclui Martucci.
Os dados colhidos durante a campanha realizada em Bofete serão entregues na segunda-feira para o Departamento de Gastroenterologia onde serão incluídos à pesquisa realizada por Silva.