Regional

Cadeia de Igaraçu fecha sem gerar superlotação

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Igaraçu do Tietê - Um problema estrutural provocou a desativação da Cadeia Pública de Igaraçu do Tietê (71 quilômetros de Bauru). Na última terça-feira, os últimos 21 presos que ocupavam a carceragem foram transferidos para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Araraquara.

O delegado Seccional de Jaú, Antonio Carlos Piccino Filho, explica que a desativação da carceragem não vai gerar problemas de superlotação em outras cidades.

Ele argumenta que a oferta de vagas no sistema penitenciário, feita pela Secretaria das Administrações Penitenciária (SAP), tem sido suficiente para manter a Cadeia de Barra Bonita com 50 presos e a de Bariri com vagas para detidos que não podem ser misturados com outros presos. A Cadeia Pública Feminina de Dois Córregos abriga cerca de 40 presas.

“Temos uma meta de baixar o número de presos. Se eu chegar a 30 ou 40 presos masculinos, eu consigo acomodar todos só em uma das cadeias”, contabiliza.

A Seccional trabalha para que os menores infratores da região de Jaú passem a ser encaminhados diretamente para a Fundação Casa (Febem), evitando que os adolescentes permaneçam sob a responsabilidade da Polícia Civil enquanto não sai vaga na Fundação.

A carceragem de Bariri possui quatro celas para detidos em prisão temporária, detidos por questão de pensão alimentícia, o xadrez de trânsito para menores e o seguro, que abriga presos que teriam problemas se fossem misturados com outros.

Novo uso

A partir de agora, a parte do prédio que abrigava as celas será utilizada como depósito para cerca de mais de 800 caça-níqueis que vêm abarrotando distritos policiais de Jaú e DPs das cidades de abrangência da Delegacia Seccional de Jaú. Piccino não descartou desativar a cadeia em Igaraçu após a recuperação do prédio. “Mas não é nosso propósito porque a delegacia funciona em um prédio pequeno e precisa de mais espaço”.

O prédio em Igaraçu abrigava a cadeia, com 48 vagas, o DP, o Plantão Policial e a Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretan).

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Rachadura

O delegado Seccional de Jaú, Antonio Carlos Piccino Filho, tem seus motivos para não retomar a carceragem de Igaraçu do Tietê.

Ele conta que, há um mês, foi identificada uma rachadura no muro dos fundos do prédio, nas proximidades da carceragem.

A partir de agora será feito um estudo para recuperar a estrutura do prédio, que foi construído sobre um aterro. O solo foi cedendo com os vários túneis já escavados por presos, ao longo do tempo.

“Se ficar batendo e forçando, poderá cair”, avalia. Técnicos identificaram o problema e constataram o abalo na estrutura do muro. Caso houvesse uma tentativa de fuga, com detentos cavando túnel, a estrutura do prédio poderia ser comprometida.

Na semana passada, em uma das celas dos fundos, na área próxima ao muro, detidos já iniciavam uma escavação. De acordo com Piccino, ao ouvir um barulho, carcereiros fizeram uma revista no xadrez e perceberam marcas ao redor do vaso sanitário, indicando o início de uma tentativa de fuga.

“Já estavam praticamente tirando o vaso e pelo esgoto é fácil fazer um túnel. Tivemos que interditar a cela”, explica o delegado seccional.

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