Postos de gasolina, empresas, garagens, transportadoras e um tráfego intenso a qualquer hora do dia. Passagem obrigatória de muita gente que vai pegar a rodovia Marechal Rondon ou seguir em direção a Jaú, a avenida Rodrigues Alves tem tudo para ser um dos locais com maior índice de poluição da cidade.
Sendo assim, os moradores de bairros cortados pela avenida sofrem com a fumaça, principalmente nesta época do ano, em que o clima seco prejudica ainda mais a respiração. No entanto, quem vive na Vila Coralina, Vila Monlevade e Jardim Cruzeiro do Sul possui um contrapeso a esses problemas causados pelo progresso: o Horto Florestal de Bauru.
Quem define bem o que significa ter uma área verde do tamanho do horto perto de casa é a secretária da Associação dos Moradores da Vila Carolina/Monlevade, Neli Del Nery Prado. “É o pulmão da nossa área.” Para ela, ter como vizinho um local onde é possível passar algumas horas agradáveis, seja fazendo caminhadas ou simplesmente observando a paisagem, é um privilégio que só os moradores desses bairros têm.
Também não há queixa de problemas com a vizinhança do horto. Apesar de receber gente de diversos pontos de Bauru, a tranqüilidade ainda é a marca registrada desta área verde fincada praticamente no Centro de Bauru.
Isso faz com que as pessoas que moram próximas aproveitem ao máximo o fato de ter um vizinho tão querido. Prado conta que costuma levar os netos para brincarem e as crianças adoram o espaço. Numa época em que o que predomina são os prédios de apartamento, com poucas áreas de lazer, o horto se transformou num oásis da cidade, onde as preocupações são deixadas do lado de fora. “Nem parece que estamos dentro da cidade”, comenta.
Outros moradores do bairro também se sentem satisfeitos com a presença do vizinho ilustre. A movimentação causada por pessoas de outras regiões que freqüentam o local sequer é percebida, já que entre o bairro e o horto está a avenida, já bastante movimentada.
A dona de casa Luiza Fadoni Manfio mora há 30 anos na Vila Monlevade e conta que já freqüentou muito o horto, principalmente com os netos. “As crianças gostam muito de lá”, diz. Como o local possui segurança, os freqüentadores se sentem mais à vontade para levar os filhos e netos, aproveitando os espaços de lazer oferecidos.
Da mesma forma o aposentado Alcídio Claus ressalta que é importante ser vizinho de uma área verde como o horto. Apesar de não atravessar muito a avenida para visitar o vizinho, ele aprova as iniciativas de levar as crianças para conhecerem o local. O aposentado conta que, quando os filhos eram menores, costumava levá-los. “A criançada gosta de ir”, afirma.
Privilégio
Quem não abre mão de sua caminhada diária no horto florestal é o comerciante Bento Catarin. Nascido em 1957 ele adquiriu o hábito de ir ao horto ainda menino, e mantém o companheirismo com a área até hoje. Segundo Catarin, é um privilégio ter na vizinhança um espaço de lazer tranqüilo.
Engana-se, no entanto, quem pensa que os moradores não sabem o que é feito no horto. Catarin destaca que, além de ser um espaço que a família pode aproveitar, o horto também é um centro de pesquisa que contribui para o desenvolvimento da região.
Para ele, o trabalho desenvolvido na Estação Experimental é importante, sobretudo para mostrar às crianças um pouco mais sobre a flora brasileira. É comum escolas organizarem passeios monitorados no local, o que ajuda os pequenos a aprenderem sobre preservação da natureza por meio de aulas práticas.
Outro destaque do horto, na opinião do comerciante, é a segurança do local. Por ser uma área de mata, quando anoitece, a iluminação é muito pouca, o que poderia atrair pessoas mal-intencionadas, mas atualmente o horto conta com segurança, o que afasta possíveis ‘criadores de caso’.
Além da Vila Monlevade, Vila Coralina e Jardim Cruzeiro do Sul, o horto faz vizinhança com o Jardim Guadalajara, Núcleo Beija-Flor, Jardim Chapadão e Jardim Mendonça, tendo mais ao norte o Núcleo Mary Dota, mas não é possível entrar no horto por este lado da cidade, pois não há passagem.