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Orientação psicológica e atividade física ajudam a combater estresse

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Sessões com a psicóloga, dieta rigorosa e trabalho de preparação física podem até parecer uma carga de trabalho extra para os alunos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) que disputam a fase internacional da Olimpíada do Conhecimento, mas, na verdade, não são. Longe disso.

O objetivo principal dessas atividades é fazer com que os alunos não sucumbam ao estresse durante as provas de que irão participar. “A competição é muito longa e desgastante. O aluno que estiver mais calmo e em melhores condições físicas levará vantagem sobre aqueles que não estiverem bem preparados”, acredita o professor Alessandro Júnior Bento, coordenador da equipe bauruense na olimpíada.

Os alunos do Senai de Bauru tiveram de percorrer um longo caminho para atingir a forma ideal. “Eles não tinham condicionamento físico algum. Não eram capazes sequer de alcançar o tornozelo com as mãos”, diz o personal trainer Gustavo Casali Negrão, que vem trabalhando com os garotos desde que eles estavam na fase nacional da disputa.

Depois de algum tempo, porém, as sessões de condicionamento físico começaram a surtir efeito. “No começo, os garotos reclamavam muito de dores nas costas e nas pernas. Mas graças ao treino, eles não têm mais se queixado”, garante Negrão.

A preparação dos jovens não ficou restrita apenas ao aspecto físico. Semanalmente, eles participam de encontros com a psicóloga Marcela Velosa para desenvolvimento da autoconfiança, do controle das emoções e do trabalho em equipe.

“Nossa intenção é fazer com que eles consigam superar as dificuldades que vão surgindo no decorrer da competição”, explica ela, que também está realizando sessões em grupo com os competidores da fase estadual da olimpíada.

Em ocasiões anteriores, a falta de preparo físico e psicológico acabou sendo essencial para a desclassificação de alguns alunos do torneio. Dois anos atrás, por exemplo, Bento viu um de seus melhores estudantes ser eliminado da fase nacional da olimpíada, após cometer uma série de erros “bobos”.

“Ele derrubou uma peça, ficou nervoso e não conseguiu mais se recuperar. Quando a prova chegou ao fim, o garoto tremia tanto que mal conseguia se manter em pé”, afirma o professor.

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Grandes esperanças

Alunos da unidade de Bauru do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) que irão disputar a fase estadual da Olimpíada do Conhecimento também têm passado por um treinamento intenso nos últimos meses.

Marcos Roberto Pereira, 19 anos, que participará do torneio na modalidade “eletricista de edificações”, costuma ir ao Senai todos o dias, inclusive aos finais de semana. Morador do Parque Jaraguá (zona noroeste de Bauru), ele encontrou nos estudos uma forma de superar as dificuldades do dia-a-dia.

Não que ele esteja entre os mais inteligentes que passaram pelas salas de aula do Senai de Bauru. Na verdade, dezenas de outros rapazes teriam condições de ser representar a unidade na competição. Ocorre que entre todos os estudantes interessados em competir na modalidade, Marcos foi o que se mostrou mais empenhado em se preparar para a disputa.

“É um menino muito esforçado. Passa noites em claro estudando”, diz a garçonete Cilene Pereira Batista, 19 anos, irmã do rapaz. Marcos estuda no Senai desde 2005 e já conseguiu até arrumar emprego por meio da escola.

Atualmente, ele trabalha numa empresa de materiais elétricos localizada no Distrito Industrial I, zona leste de Bauru. “Todos os dias, ele acorda antes das 7h e atravessa a cidade para chegar ao serviço. À tarde, depois do expediente, ele corre para o Senai e fica treinando. Só sai de lá depois das 23h e ainda estuda em casa, durante parte da madrugada”, garante o vigilante aposentado Sebastião Firmino, 56 anos, pai de Marcos.

Embora esteja se empenhando bastante nos treinos, o garoto não sabe se será capaz de conquistar uma medalha na olimpíada. “Acho que só o fato de estar lá já me faz um vencedor. Muitos colegas que cresceram comigo no bairro hoje estão presos ou seguiram pelo mau caminho. Graças a Deus e ao apoio de minha família, consegui ir por uma estrada diferente. Já sou um vencedor - pelo menos na vida”, acredita.

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