Em um cenário que reúne concorrência acirrada, grande contingente de desempregados e faculdades que não param de formar mão-de-obra qualificada, o medo de perder o emprego é um sentimento que ronda a maioria dos trabalhadores das mais diferentes áreas. Manter-se empregado se tornou um desafio constante. Com a ajuda de profissionais ligados à área de gerenciamento de carreira, psicólogos, consultores de recursos humanos e economistas, o Jornal da Cidade talhou o que seria hoje a tábua com os “Dez Mandamentos” para se manter empregado.
São dicas que podem ajudar os trabalhadores atuais a continuarem na ativa. Algumas delas são unanimidades entre os profissionais consultados pela reportagem, como, por exemplo, a necessidade de um aperfeiçoamento profissional contínuo. Com o mercado de trabalho cada vez mais exigente, parar de estudar é um péssimo negócio para quem quer se manter empregado.
Mas, o professor Luiz Carlos Canêo, da área de psicologia organizacional e do Trabalho da Unesp de Bauru, faz um alerta. “Hoje, o que garante trabalho é o conhecimento e não informação. Muitos confundem isso. Eles buscam apenas informação fazendo dezenas de cursos. Mas se essas informações não gerarem conhecimento e se esse conhecimento não agregar valor ao trabalho deles, não vale nada.”
Segundo Jair José Marangoni, personal e professional coach, um misto de conselheiro e confidente, o retorno de profissionais empregados às salas de aulas é uma clara demonstração de que as pessoas estão se conscientizando da importância de uma boa qualificação acadêmica e de se manter atualizado dentro de sua área de atuação.
Marangoni, atualmente, está dando curso de motivação dentro do câmpus da Unesp de Bauru. Segundo ele, chama a atenção a quantidade de alunos que voltaram à universidade depois de anos afastados. “São pessoas que estão há anos no mercado de trabalho e agora decidiram retornar à sala de aula”, observa.
Surpreender
Para Mara Tayar Tepedino, diretora da Catho, empresa que trabalha com recolocação e orientação de carreira, possuir uma boa formação acadêmica e estar sempre atualizado dentro da área de atuação são recomendações sempre válidas, mas na maioria das vezes, principalmente para os cargos mais elevados, isso não é suficiente. “É necessário se destacar”, afirma ela. “Tem de ser dinâmico, ter idéias novas. É preciso surpreender sempre”, aconselha Mara.
De acordo com ela, quem está preocupado em se manter no emprego tem de pensar sempre em progredir e se desenvolver profissionalmente. “O profissional que pensa estar tranqüilo no emprego está fadado a perdê-lo. Não se pode acomodar nunca”, enfatiza.
Na opinião do economista e consultor empresarial Adriano Fabri, no mundo competitivo atual, não há espaço para amadores. Segundo ele, a pessoa tem que ser muito boa no que faz para ter o emprego garantido. Além disso, ele recomenda pensar grande a longo prazo e agir dentro do possível a curto prazo.
Participar de atividades que possam desenvolver a profissão, como cursos, palestras, seminários, debates, entrevistas e mesmo leituras na sua área de atuação ou comportamental, também é importante. De acordo com ele, atualmente, as empresas estão contratando muito mais em função do perfil do candidato do que pela sua experiência. “E o perfil que se exige é o perfil empreendedor”, afirma.
Algumas características e atitudes que definem esse perfil são ousadia e iniciativa, expressar confiança em suas ações, boa capacidade de persuasão e de apresentação (verbal e escrita), ser comprometido e persistente nas coisas que faz, ser pontual e saber trabalhar em equipe.