Pare, pense e reflita. O processo permanente de reflexão é, na opinião do professor Luiz Carlos Canêo, do Centro de Psicologia Aplicada (CPA) da Unesp de Bauru, a principal arma contra o desemprego nos dias atuais. Parar para refletir sobre até que ponto o trabalhador ainda é importante para a empresa é um bom começo.
“É preciso fazer uma leitura crítica da realidade”, ensina o professor. Se a conclusão do trabalhador for de que sua qualificação profissional não é mais compatível com as exigências atuais do mercado de trabalho, é aconselhável fazer algo para mudar isso. “Se a pessoa entende os motivos dessa defasagem, ela começa a fazer planos para melhorar”, diz.
Esse exercício de auto-análise torna-se ainda mais imprescindível quando nota-se que a estabilidade de emprego é um luxo que não existe mais, a não ser no serviço público. Estar há 10 anos ou mais dentro de uma empresa não significa segurança pelo tempo de serviço prestado. “Hoje, não existe mais fidelidade do empresário ao tempo de casa.
O que existe é fidelidade ao conhecimento desse funcionário que agrega valor ao produto. Se o trabalhador entender isso, ele estará permanentemente em busca de conhecimento.” Portanto, o risco de demissão torna-se menor.
De acordo com a psicóloga Liara Oliveira, consultora da Catho em Bauru, as médias e grandes empresas querem hoje algo mais do que um empregado. Elas querem um colaborador. Alguém que “vista a camisa” e conheça a empresa como um todo. Um colaborador que agregue valor à empresa, principalmente na forma de lucros financeiros. “A empresa tem de dar lucro e o colaborador tem de estar ciente disso”, ressalta.
Uma vez preocupado em estar sempre se aprimorando profissionalmente, o trabalhador ou colaborador também estará lucrando, segundo Liara. “Não é só o lucro financeiro, mas também profissional.” Mesmo que esse profissional seja um dia mandado embora do emprego, ele estará bem preparado para brigar por seu espaço em uma nova empresa.