Muita coisa mudou desde aquele fatídico 16/8/2003. Uma tragédia que tomou conta da cidade. Nos bares, nas praças, nos supermercados, nas rádios, o assunto era o mesmo: o Pedrão Macéa morreu!!
Quem se recorda de seu velório? A quantidade de flores e de gente que passaram pelo BAC. Uma madrugada fria, talvez a mais fria de todas. Infelizmente aquilo tudo não era uma comemoração. Não tinha música, não tinha nada. Querido por muitos e inimigo não declarado de outros, polêmico, a cidade parou para a sua despedida. Um sábado incomum. Muitos não acreditavam na sua passagem. Talvez não veremos mais isso aqui em Bauru.
A vida de muitas pessoas não foi mais a mesma desde aquele dia. Dizem que uma andorinha só não faz verão, mas, no dia-a-dia, percebo que o Pedro era mesmo diferenciado e que esse ditado não se encaixa com ele. Pessoas iguais a ele vivem o tempo suficiente para deixarem alguns ensinamentos, um legado, histórias....
Sem ele o BAC fechou (as coisas já não andavam boas) e, com isso, eu e meus amigos perdemos nossas referências, pois o clube era o nosso ponto de encontro (ah, o BAC!! Agora prestes a se tornar um big supermercado. De certa forma estou conformado, pois o local irá gerar muitos empregos para a população de Bauru). Hoje encontramos parte do pessoal no Bar do Macalé (que é um lugar bacana), alguns na LUSO, outros no BTC, quando visito esporadicamente. Muitos não vi mais....saudades. Éramos, de certa forma, uma grande família.
Sem ele, a Tribuna do Leitor ficou empobrecida, tamanhas e polêmicas cartas que o Pedrão publicava. Sem ele os governantes ficaram mais aliviados, pois ele criticava e enxergava antes da gente, uma Bauru e um Brasil complicados, cheios de gente incapaz, hipócrita e corrupta. Discutíamos muito a vida, a cidade de Bauru, o esporte, o Brasil, na maioria das vezes com opiniões contrárias e pontos de vista diferentes. Mas nos entendíamos, éramos amigos, mesmo com a grande diferença de idade entre a gente e mesmo com algumas presepadas. Nossa Bauru e o Brasil tem gente competente e honesta, claro, e a esperança de um futuro melhor não pode morrer. Mas se pararmos para pensar em quantas coisas ruins e sujas aconteceram nos últimos anos e que vieram a tona, ele tinha razão grande parte das vezes.
Sem ele o esporte de Bauru virou essa lástima (ficamos em quarto lugar nos Jogos Regionais desse ano, atrás de Jaú...quem diria??). Nossos atletas tendo que sair daqui e representar outras cidades. As pessoas que ficaram, aceitaram sem lutar o empobrecimento e a decadência do nosso esporte. Lamentável!
Sem ele a Jopema não foi mais a mesma. Mesmo com gente competente, ele faz muita falta!
Sem ele a família ficou órfã. Mas a passagem dele os fez encarar a vida de forma diferente e os fortaleceram. Hoje estão todos mais maduros e prontos para a vida. A Táta continua uma figura, alegre, divertida. Às vezes ela vira pra mim e fala “eu vi o Pedrão...saudade do meu pai”. Acho que ela o vê mesmo, e que eles conversam, tamanha era a ligação entre eles.
Essa noite eu sonhei com o Pedrão. Um sonho instigante, parecia real. O que queria me dizer? Não sei ao certo. Muita coisa misturada. A cabeça da gente é algo impressionante. Só não poderia deixar de escrever e lembrar algumas pessoas a existência dele.
E a vida continua... O negócio é viver cada dia como e fosse o último, com prazer e emoção, respeitando o próximo, as diferenças. Tentar se livrar das amarras, ser audacioso, corajoso, construir algo de bom, fazer o bem para as pessoas e aprender a nos relacionar o tempo todo com elas. Saber dizer não na hora certa. Punir com rigor os faltosos. Exigir dos governantes melhores condições em todos os aspectos. Fazer prevalecer nossos direitos, nossa Constituição. Tolerar mais, amar mais, enfim. A vida é boa, mas é curta. Vamos brindar a vida!! Pedrão, fique em paz!
Ricardo Manrique Barone - RG 21.281.460