Internacional

Premiê da Sérvia anuncia envio de tropas para conter Kosovo

Folhapress
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Kosovo - O premiê da Sérvia, Vojislav Kostunica, anunciou por meio de seu porta-voz ontem que “é chegada a hora” de enviar mil soldados à Província separatista de Kosovo, no mais recente sinal da escalada da tensão na região.

Com o impasse sobre o status da Província, líderes da maioria albanesa em Kosovo vêm reiterando que declararão a independência unilateralmente ainda em 2007, gerando hostilidade crescente em Belgrado.

O envio dos mil sérvios foi rejeitado imediatamente pela Otan (aliança militar liderada pelos Estados Unidos), que mantém 16 mil soldados em Kosovo. A Província está sob protetorado da ONU desde o final da guerra entre a Otan e os sérvios, em junho de 1999, funcionando como uma região semi-autônoma.

A ONU ordenou na última semana o início das preparações para eleições da Assembléia de Kosovo. A medida promete ser problemática -a votação pode acelerar a separação formal de Belgrado, segundo o jornal “Financial Times”.

Novo prazo

As eleições devem ocorrer em novembro, antes mesmo do final de um prazo até dezembro para que enviados da União Européia, da Rússia e da ONU discutam novamente um acordo entre Belgrado e Pristina.

Na região desde o início desde mês, o grupo foi formado após o fracasso do último plano da ONU que previa status de país soberano para Kosovo - mas sob a tutela da União Européia.

Rejeitado pela Sérvia e por sua aliada histórica, a Rússia, por abrir caminho para a independência, o plano foi suspenso sem ser votado no Conselho de Segurança da ONU.

Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam ser pouco provável que o novo grupo consiga alcançar um acordo. “A comunidade internacional está apenas tentando ganhar tempo para angariar apoio para a independência”, afirma Denisa Kostovicova, autora de “Kosovo: a Política da Identidade e do Espaço” (Routledge, 2005) - que é descendente de sérvios. “Mas não há opção a não ser a independência, pois Kosovo já é na prática separada da Sérvia”, afirmou.

Para James O'Brien, ex-enviado especial do Departamento de Estado dos Estados Unidos para os Bálcãs e atual membro do Grupo Albright, em Washington, o prazo para novas discussões serve apenas para reassegurar o mundo de que todos os esforços foram feitos para uma solução negociada.

“Não é segredo que há preparações para uma declaração unilateral de independência, e os EUA já afirmaram que a apoiarão mesmo fora da ONU.”

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