Economia & Negócios

‘Empresários têm que parar de reclamar da China’, afirma presidente da Abrinq

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Na mesma semana em que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) anunciou um conjunto de medidas para combater a concorrência desleal dos produtos chineses em relação aos fabricados na Zona Franca de Manaus, o economista Synésio Batista da Costa, presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon) e da Associação Brasileira de Brinquedos (Abrinq), cobrou atitude por parte do empresariado brasileiro para encarar a realidade da invasão de mercadorias chinesas no País.

“Esse novo ‘player’ internacional é tão poderoso, mas tão poderoso, que é capaz de mudar a vida das pessoas de Bauru e até Bauru de novo. É capaz de desempregar, de fazer crescer, de mexer com o imaginário das pessoas, de provocar a desgraça das pessoas, é capaz de tudo porque tem poder econômico num modelo político e econômico que tem colocado parte de setores empresariais do mundo todo de joelhos. Diante dessa realidade, é preciso tomar atitudes para saber para onde caminhar. Não adianta ficar reclamando”, destaca.

Costa veio a Bauru no último dia 14 para participar da Semana do Economista, promovida pela Faculdade de Ciências Econômicas de Bauru, da Instituição Toledo de Ensino (ITE). Na ocasião, o economista ministrou a palestra “China, o que muda em nossas vidas, na economia e no País”.

Conforme o anúncio do MDIC, o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) vai exigir dos equipamentos importados as mesmas normas técnicas de certificação e segurança cobradas dos que são produzidos no Brasil. O ministério também vai estimular as empresas instaladas no pólo industrial de Manaus a utilizarem o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência entrando com pedidos de medidas antidumping e salvaguardas comerciais.

“A maioria do setor produtivo (brasileiro) tem mania de perseguição, mania de dizer que os chineses estão concorrendo deslealmente, mania de falar de contrabando e de pirataria... Enquanto (os empresários) ficam falando isso, os chineses estão comendo pelas bordas. Não adianta ficar chorando pelos cantos. Tem que se mexer, tomar atitudes e correr atrás, pois o que estamos enfrentando é um modelo rebelde, diferente, que mexe com a cabeça das pessoas”, diz Costa.

Talento

O economista cobra dos empresários o talento da indústria brasileira. Segundo ele, há um intenso sentimento de vitimização entre os empresários brasileiros que impede a tomada de estratégias e de atitudes que podem somar pontos a favor do mercado brasileiro.

“Toda empresa tem talento. É preciso utilizar. Tem muita gente que fala da China sem nunca ter ido nem passear em Pequim. Como se transforma uma ameaça em oportunidade? Não é simples e não é sem dor. As empresas têm que se posicionar diante do problema, parar de reclamar do governo brasileiro e pensar em parcerias que podem ser feitas aqui entre nós para serem implantadas lá, onde há mais de 1 bilhão de pessoas com a boca aberta querendo comer e consumir na China”, adverte o presidente do Cofecon.

Costa destaca que não existem moldes nem receitas prontas para combater a concorrência deste ou de qualquer outro mercado. Cada segmento da cadeia de produção deve analisar a sua realidade para, então, identificar quais medidas podem ser tomadas diante do avanço do poderio econômico vindo da terra dos mandarins.

No setor de brinquedos, o economista e presidente da Abrinq cita algumas ações adotadas. “Nós identificamos quem faz bem e barato na China. Então, pode ir para lá uma linha de produção, por exemplo, de produtos que a gente não faz aqui. Essa coisa de bater a mão no peito para dizer que é dono de fábrica é totalmente ultrapassada. O mundo mudou. Cada setor, cada atividade faz a sua política. A quantidade de atitudes possíveis é muito grande, mas é preciso tomar alguma, antes que o dono de Bauru (ou de qualquer outro lugar) seja um chinês. A grande diferença dos chineses é que eles têm determinação”, alfineta Synésio Costa.

Comentários

Comentários