Com o regresso escolar, volta também uma antiga preocupação dos pais: o peso das mochilas dos filhos e os problemas que as crianças têm ao carregar peso em excesso. Os ortopedistas alertam que o peso da mochila pode corresponder, no máximo, até 10% do peso do estudante. Uma criança de 30 quilos, por exemplo, não pode carregar uma mala com mais de 3 kg.
Como é no período escolar que o corpo do estudante está em fase de formação, carregar peso em excesso pode trazer problemas futuros na coluna, dores musculares ou outras lesões. Antes de mais nada, os médicos recomendam aos pais fazer uma inspeção na bolsa da criança para ver se é necessário transportar diariamente todo o material.
Foi o que fez o engenheiro João Veloso, 32 anos, pai de Isabella, 9. “Já tentamos tirar parte do material, mas tudo é necessário na sala de aula. Então, compramos uma mala com rodinhas’’, diz o pai.
Se não é possível eliminar nenhum tipo de peso, o recomendado é a compra de uma mochila mais adequada, como fez o engenheiro, para amenizar os 7,5 kg transportados diariamente pela filha. Isabella carrega todos os dias dois cadernos, dois dicionários (um de português e outro de inglês), uma agenda e cinco apostilas. Para o pai, ela só não sente dores nas costas por conta da mochila correta e por ir e voltar de carro todos os dias da escola.
O médico Cláudio Santili, ortopedista pediátrico da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, concorda. Ele explica que as malas com rodinhas são as melhores, pois evitam que a criança carregue peso nas costas, mas ele alerta que é preciso escolher a mais adequada de acordo com a altura dos pimpolhos. “As costas da criança devem estar retas quando for puxar a mala. Isso evita uma postura errada’’, afirma.
O especialista reforça ainda que carregar mais do que a criança pode é prejudicial, apesar de não haver estudos que comprovem a relação do peso das mochilas com problemas na coluna. “O que sabemos é que bem não faz’’, frisa o ortopedista.
O problema das mochilas de rodinha é que, quando os alunos ficam mais velhos, principalmente quando entram na 5ª série, eles se recusam a usar esse tipo de mala por considerarem um “mico’’. Nessa hora, comenta o especialista, os pais podem comprar a mochila tradicional, mas devem ficar atentos para que o jovem utilize as duas alças, uma em cada ombro.
“Se usa apenas uma alça, o peso fica em cima de um único ombro, o que pode provocar contratura e dores musculares.’’, explica Santili. O médico aconselha os pais a procurarem a direção da escola para deixar parte do material na instituição. Se essa opção não for viável, uma alternativa é substituir os cadernos por fichários. “Assim, leva-se apenas algumas folhas’’, aponta.