Bairros

Horto Florestal: um gigante verde no Centro de Bauru

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

Muita gente que passa pela avenida Rodrigues Alves, na altura da quadra 38, deve pensar que aquele espaço verde é apenas uma praça, um parque, ou simplesmente mato, que está ali e não serve para muita coisa. Afinal, o Horto Florestal de Bauru fica bem no Centro da cidade, mas, na verdade, quem cresceu em volta dele foi a cidade.

Mesmo assim, pouca gente conhece a área de 43 hectares (o que corresponde a cerca de 43 campos de futebol), já que no imaginário popular quem aparece em primeiro lugar em termos de meio ambiente é o Jardim Botânico, seguido pelo Vitória Régia. No entanto, o horto está ali desde 1928 e viu Bauru crescer, sem perder espaço para as casas e avenidas.

O Horto Florestal é o nome popular da Estação Experimental de Bauru. É uma unidade do Instituto Florestal, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente. Ele foi fundado em 1928, e completa 80 anos em 2008. Além de espaços de lazer, o horto produz mudas e possui várias espécies que foram introduzidas ao longo dos anos, ou seja, a estação experimental faz estudos de espécies de árvores para melhorar as condições das florestas do Estado.

Por ser uma área relativamente pequena, se comparada a outros hortos, a estação é sede de seção de outras unidades. Segundo a engenheira agrônoma Eliana Maria Rangel de Almeida, responsável pela seção, do horto são administrados a floresta de Pederneiras, com 2.000 hectares, a Estação Ecológica de Bauru, que possui 300 hectares, e a Estação Experimental de Jaú, com 200 hectares.

O fato de estar dentro da malha urbana propiciou à população freqüentar e usufruir do horto como espaço dedicado ao lazer. Apesar de não funcionar nos finais de semana, a área externa possui um parque, com campo de futebol, que pode ser aproveitado pela população em geral. Almeida explica que a ênfase no lazer público começou há cerca de dez anos.

Essa tendência foi crescendo a ponto do horto criar um espaço dedicado aos visitantes, o Centro Ambiental. A intenção seria abrir nos finais de semana também, para ampliar ainda mais o contato da população com a natureza.

A maior dificuldade é coibir a ação de vândalos. Já houve casos de incêndio em uma das árvores mais antigas do local. A situação só melhorou depois que foi implantada a segurança. Outro ponto que inibe um pouco a ação de vândalos é o fato de funcionários morarem na colônia existente no horto e ajudarem a coibir a presença de pessoas indesejadas.

A situação melhorou bastante quando a administração resolveu abrir as portas para o uso público. As pessoas que freqüentam sabem como aproveitar o espaço e dão vida ao espaço verde. “É um espaço público para que seja usado, que não tem dono. Isso conscientiza as pessoas a preservarem, afinal é delas”, diz Almeida.

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A história

O Horto Florestal de Bauru foi criado para desenvolver pesquisas sobre o eucalipto, que tinha sido trazido em 1910 da Austrália, pelo agrônomo Navarro de Andrade. Foi o próprio Andrade que trouxe a primeira espécie de eucalipto para Bauru, e a plantou no horto. No decorrer dos anos, outras espécies foram plantadas e atualmente o horto de Bauru conta com mais de 1.200 tipos de árvores, nativas e exóticas, que podem ser identificadas através de placas colocadas em suas bases.

Atualmente, o horto mantém um viveiro de mudas que podem ser adquiridas pelo valor simbólico de R$ 1,00. São cerca de 80 espécies, que servem para projetos de reflorestamento de fazendas, matas ciliares, ou simplesmente para as pessoas que queiram adquirir e ter alguma das espécies existentes.

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