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PS fica sem ortopedista o dia todo; plantonista faz BO à noite

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Mais uma vez, a falta de médicos causa transtornos aos pacientes do Pronto-Socorro Central (PSC) de Bauru. No início da noite de ontem, quando o médico ortopedista João Sérgio Carneiro chegou para o seu plantão, encontrou uma fila de espera de mais de 30 pacientes. O especialista do período diurno não apareceu para trabalhar o que gerou acúmulo de pessoas que aguardavam o atendimento, entre elas duas crianças, uma menina de 11 anos com lesão, e um garotinho de 7 anos com o braço quebrado.

Ao começar as consultas, Carneiro foi hostilizado por pacientes revoltados com a espera. Preocupado com a sua segurança e com a falta de atendimento durante o dia, ele registrou ocorrência no Plantão Policial.

No final do mês passado, o Jornal da Cidade fez reportagem sobre a falta de ortopedistas no PSC, pelo mesmo motivo. Não existe médico nesta especialidade para substituir colegas que precisam faltar ao trabalho.

Sônia Nogueira Evangelista levou a sua mãe, Olga, ao PSC às 13h de ontem e à noite a mulher ainda não havia sido atendida. “Ela está com dores nas costas e não tem ninguém para atendê-la. Já deram três injeções para passar a sua dor, mas nada de médico”, disse a filha. Patrícia Ferreira chegou ao PSC às 18h com a sua filha de 11 anos. A garotinha caiu e machucou o braço. Ela foi encaminhada de setor em setor na unidade de urgência e emergência, num verdadeiro jogo de empurra.

Bastante nervosa, Patrícia relatou que mesmo com o exame de raio-x em mãos, sua filha ainda não tinha sido atendida por ortopedista. “Trabalhei o dia inteiro e agora sou humilhada aqui. Eu só quero que alguém olhe o braço da minha filha e diga o que ela tem para que a gente possa ir para casa”, disse com a voz embargada.

O casal Ivone e Rui Silva chegou às 20h ao PSC. Eles estavam com o filho José Alan, 7 anos, que tinha quebrado o braço ao cair de uma árvore. Mesmo passando por um médico clínico geral, o menino não tinha nem uma tipóia para segurar o braço, que era amparado com a sua própria camiseta. “Disseram que como não tinha ortopedista, iriam internar meu filho. Mas até agora não conseguiram vaga”, conta Rui. “Até que o primeiro atendimento foi rápido, passaram ele na frente por causa da urgência. Mas agora estamos aqui, esperando”, relatou Ivone.

Boletim

No Plantão Policial, o ortopedista João Sérgio Carneiro relatou que foi a terceira vez na semana que ele encontrou o PSC sobrecarregado pela falta de especialista na área. “A administração precisa ter alguém para substituir os médicos que faltam”, argumentou. “Cheguei para trabalhar às 19h e tinha mais de 30 pacientes. Comecei a olhar as fichas e vi que eram pessoas das 9h, 10h, 12h, e ia até o final da tarde”, afirmou.

Quando começou o atendimento, os pacientes passaram a ofender o médico, que se sentiu ameaçado. “Sei que eles têm razão, mas não é por isso que eles podem me agredir”, desabafa. Carneiro informa que antes de ir à polícia ainda tentou localizar os seus superiores, mas não conseguiu falar com nenhum deles. “Me senti na necessidade de registrar esse boletim de ocorrência. E, como nas outras duas vezes nesta semana, vou mandar o relatório para a Secretaria Municipal da Saúde”, prometeu.

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