Nos últimos dias, a mídia provocou um estardalhaço ao comunicar aos espectadores a presença de um jogador homossexual num grande clube de São Paulo. A notícia soou como uma bomba, numa sociedade preconceituosa como a que vivemos. O simples fato de existir um homossexual jogando futebol foi motivo de chacota por parte de alguns jornalistas esportivos.
A grande imprensa apura, incessantemente, o fato e faz da seção de esportes um livro de investigações. Talvez essa seja a tarefa de Tim Tim: descobrir quem é o tal jogador e desvendar sua sexualidade. O preconceito é tão forte que o próprio juiz de direito Manoel Maximiano Junqueira Filho, de quem eu esperava uma postura mais séria e antidiscriminatória, afirmou ser o futebol um jogo viril, varonil, não homossexual.
O teor preconceituoso de uma frase infeliz como essa pode incitar os torcedores a repudiarem a presença homossexual no futebol. E essa cogitação sequer foi discutida pela mídia que, provavelmente, não vê um horizonte de audiência numa matéria como essa. Prefere explorar o lado que prende os espectadores, o fato “curioso”.
Não deveria ser assim. Certamente se o tal jogador praticasse o vôlei não seria discriminado dessa forma. Agora, o futebol? É curioso... Essa questão nos possibilitou enxergar que a capacidade e o profissionalismo do craque foram postos à prova.
Aelton de Aquino - estudante de jornalismo da Unesp