A paz é um processo gradual que um dia triunfará. Tudo que se refere à violência tem uma razão humana de existir e pode ser evitado. A proposta é de pensarmos em como poderíamos contribuir para uma sociedade mais pacífica com os instrumentos de que dispomos por mais simples e insignificantes que estes pareçam. Essa contribuição para a implantação da paz não precisa estar institucionalizada, pois é da união do individual que se faz o coletivo. Se pararmos por um instante para refletir sobre a paz, é emocionante e gratificante idealizar uma vida regida por ela, porém o que temos feito a seu favor?
Basta um olhar panorâmico sobre o mundo para notar que a paz é uma causa nobre e uma necessidade. Países disputam porções de terra (como entre Peru e Chile), investimentos (como a construção de fábricas de celulose na fronteira entre Argentina e Uruguai); outros se enraivecem por desavenças étnicas (como no Oriente Médio), e alguns até fazem ameaças e sanções econômicas (Estados Unidos contra Irã se este não paralisar seu programa nuclear, enquanto Rússia indispõe-se com os norte-americanos pelo plano de instalação de bases de lançamento de mísseis no leste europeu). Exemplos não faltam de que o mundo carece de iniciativas para a paz.
É nesse contexto que o Movimento Internacional pela Paz e Não-Violência, que surgiu em Feira de Santana – Bahia, une a vontade de seus voluntários e simpatizantes para disseminar e implantar a cultura de paz na sociedade e contrabalançar a força que obscurece o planeta. O projeto cujo lema é “a paz do mundo começa em mim” foi idealizado por Clóvis Nunes e está sintetizado em seu livro “Educação pela Paz”, que sustenta a idéia de que a paz não é algo que está em algum lugar esperando a descoberta somente como um fim, mas um meio que se edifica e reforça a partir da ação de cada um.
Um dos grandes problemas que geralmente temos depois de aprender algo é de como e onde pôr em prática sem esquecimento. É natural reconhecer que é preferível viver num mundo feliz e harmônico a padecer do medo e da violência, por isso buscamos métodos de reforma interior e da sociedade em que nos inserimos. No entanto, a velocidade do dia-a-dia e o excesso de compromissos amiúde nos fazem agir como outrora e desconsiderar aqueles preceitos absorvidos num evento sobre a paz. O risco da inércia aparece justamente quando deveríamos projetar a paz para a nossa rotina e não vê-la como objeto de tertúlias e palestras ocasionais.
A vontade precisa de iniciativa para concretizar-se. Se quisermos a paz enquanto dado cultural na sociedade, a intervenção individual é necessária. Nada melhor que enxergar essa contraposição dialética da paz sobre a violência no Brasil como uma ocasião já principiada e até institucionalizada. E essa luz poderá brilhar com mais intensidade no país a partir de quando outras pessoas também passarem a crer que fazem a diferença, mesmo que entendam a paz da sua maneira. A iniciativa pela e para a paz é um grande projeto do qual todos podemos fazer parte.
O autor, Bruno Peron Loureiro, é bacharel em Relações Internacionais