A classe média paga mais por usar os serviços oferecidos pelos bancos, segundo constatação da pesquisa de orçamento familiar (POF) elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo aponta que as despesas mensais com tarifas bancárias podem representar mais de 1% da renda para as famílias incluídas neste nível social.
Por outro lado, a pesquisa detectou que os serviços bancários são responsáveis por 0,68% do total de despesas das famílias brasileiras, o que demonstra uma diferença significativa com o percentual que onera a classe média.
De acordo com o levantamento, os valores pagos pelos trabalhadores do meio da pirâmide social são superiores aos investidos, por exemplo, na Previdência Privada. Apesar da estatística representar um rombo considerável no orçamento dessas pessoas, o economista Wagner Ismanhoto avalia que as famílias de classe média são mais afetadas pelos custos bancários porque usam mais esses serviços em comparação às demais classes.
“Isso é perfeitamente compreensível. Quem movimenta mesmo (esses serviços) é a classe média, composta pelas categorias C e B2. São pessoas que têm um determinado volume de dinheiro e necessitam desses serviços”, explica o economista.
Poder
Ismanhoto ressalta que as famílias de alto poder aquisitivo têm maior poder de negociação com os bancos, o que reflete diretamente no custo dos serviços.
“Em geral, são pessoas que têm uma aplicação (financeira) e não precisam de cheque especial para fazer financiamento. Conseqüentemente, não dependem do banco”, completa.
Já as famílias de menor poder aquisitivo, segundo Ismanhoto, também utilizam menos os serviços oferecidos pelas redes bancárias porque são poucos os que têm acesso a linhas de crédito, cheque especial e outros benefícios. “Muitas vezes, essas pessoas não trabalham nem com talão de cheque e possuem apenas a conta salário no banco. Elas usam o cartão apenas para o saque”, destaca.
Ao contrário dos ricos e pobres, a classe média mantém mais relacionamentos com os bancos tanto por necessidade quanto por comodidade. “Toda vez que você quer uma comodidade ou usufruir de um serviço, tem de pagar por isso”, enfatiza Ismanhoto.
Outro estudo, feito pela empresa de consultoria Austing Rating, mostrou que as receitas obtidas pelos bancos com as tarifas aumentaram cerca de oito vezes desde 1994, atingindo R$ 52,8 bilhões no ano passado. Dados do Banco Central apontam que, de 1996 a 2006, o recolhimento anual advindo das tarifas bancárias passou de R$ 12,1 bilhões para R$ 47,5 bilhões - crescimento de 293%. No mesmo período, a inflação foi de 92,7% (medida pelo IPCA).