Bairros

Para Emdurb, aterro agüenta até dezembro; lagoa está quase pronta

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A “novela” para ampliação do aterro sanitário de Bauru, que diariamente recebe uma média de 220 toneladas de lixo domiciliar e hospitalar, ganha mais um “capítulo”. Em abril, a previsão de técnicos da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) era de que em três meses não haveria mais espaço para pôr lixo no aterro. Decorrido o prazo, a empresa ainda não solicitou à Secretaria do Estado do Meio Ambiente autorização para a construção da quarta camada do aterro, o que, na prática, significará a ampliação do espaço para depositar lixo.

Mas o presidente da Emdurb, Carlos Barbieri, afirma que a previsão anterior foi pessimista e garante que até dezembro há espaço para pôr lixo no local. Ele ressalta que a impermeabilização das duas lagoas de chorume já começou.

A impermeabilização das lagoas para contenção do chorume, o líquido resultante da decomposição do lixo, é um dos principais requisitos para a Secretaria do Estado do Meio Ambiente autorizar a instalação da quarta camada, argumenta Barbieri. “Começamos hoje (ontem) a impermeabilização dos tubos dentro das lagoas, que vão abrigar bombas para recalque do chorume. Depois, o trabalho segue para as paredes das lagoas”, explica.

A lagoa de chorume é um grande buraco no chão, semelhante aos feitos para construção de piscinas. A diferença está na impermeabilização. Para conter o chorume, é preciso revestir o buraco com uma manta de borracha dura, impermeável. “Antes, fizemos uma mistura de solo-cimento e aplicamos nas paredes da lagoa”, conta.

O presidente da Emdurb ressalta que a construção das lagoas estava estimada em R$ 300 mil, caso todo o serviço fosse terceirizado. “Mas o DAE (Departamento de Água e Esgoto) fez os buracos, a própria Emdurb fez ajustes nos buracos e economizamos cerca de R$ 250 mil. Só contratamos empresa para fazer a impermeabilização, serviço que custou R$ 35 mil”, afirma. Após a conclusão do serviço, será solicitada a abertura da quarta camada do aterro.

Autorização

“Vamos juntar a foto aérea mostrando as lagoas de chorume impermeabilizada, em funcionamento, mais a planta das lagoas feita pelo DAE e vamos protocolar o pedido na Secretaria do Meio Ambiente”, explica Barbieri. Ele acredita que, até dezembro, sairá a autorização. “Tenho ido ao aterro regularmente e, até dezembro, o aterro agüenta”, aposta. Uma área do aterro que afundou neste ano com o peso do lixo acabou abrindo mais espaço, completa.

Todo o processo para ampliação do aterro sanitário, assim como a coleta de lixo, que no início do ano passou por crise, está sendo acompanhado pelo Ministério Público.

O promotor do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Sciuli Castro, informou que, no início do próximo mês, vai solicitar à Emdurb relatório das medidas que estão sendo tomadas no sentido de evitar que o aterro sanitário chegue ao final de sua vida útil sem que novo espaço esteja pronto para receber lixo, nas condições previstas por leis ambientais.

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Como funciona

O aterro sanitário de Bauru fica às margens da rodovia Marechal Rondon, na altura do quilômetro 353, a uma distância de 15 quilômetros do Centro da cidade. A área total do aterro, construído em 1992, é de 11,12 alqueires, cercado de plantação de eucaliptos cheirosos no aterro.

O lixo descarregado é empurrado de baixo para cima contra um barranco ou célula anterior, e distribuído pelo seu talude. O trator sobe e desce a rampa de três a cinco vezes, a fim de que o lixo seja reduzido a seu volume mínimo - geralmente a um terço do volume inicial.

No final do dia, ou quando a coleta termina esse monte de lixo recebe uma cobertura de terra (15 a 30 centímetros), com a finalidade de evitar a propagação de moscas, baratas, ratos, urubus. ficando assim constituída a célula sanitária.

No final, o aterro recebe uma cobertura de 60 centímetos de terra bem compactada, selando dessa forma o aterro sanitário.

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