Regional

Preso grupo que distribuía 5 mil drogas sintéticas ao mês na região

Por Cláudio Dias | Tribuna Impressa de Araraquara Especial para o JC
| Tempo de leitura: 4 min

Araraquara - Mais de cinco meses de investigação e de monitoramentos foram necessários para acompanhar um grupo encarregado de distribuir cerca de 5 mil unidades de drogas sintéticas, além de maconha modificada, em Araraquara (117 quilômetros de Bauru), região e em outros pontos do País. A ação coordenada pelo setor de inteligência da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) e batizada de “Balcans” prendeu 20 pessoas e desmantelou um esquema interestadual de tráfico.

A movimentação e aquisição de LSD e ecstasy era toda feita pela Internet. Só na região eram 5 mil unidades ao mês. A investigação começou oficialmente em março, pois, semanas antes, uma denúncia apontava para a participação de um tal “Cabeça” como sendo o principal distribuidor de drogas sintéticas na cidade.

De acordo com o delegado Marcelo Quevedo, da Dise e coordenador da operação, os policiais passaram a acompanhar a rotina do universitário de 24 anos, acusado de negociar as drogas em festas e no circuito universitário local.

A investigação seguiu e descobriu-se que um rapaz, no bairro São José, escondia para o estudante os comprimidos de ecstasy e os pontos de LSD em cartelas.

Seguindo “Cabeça”, os policiais desvendaram que ele mantinha sociedade na compra das drogas com um desempregado de 22 anos, preso em 23 de junho, com 700 comprimidos de ecstasy, mil pontos de LSD, a supermaconha chamada de “Skank” e meio quilo de cocaína. Mas a Dise precisava saber de onde vinha essa droga comercializada em Araraquara. E chegou até o fornecedor. Trata-se de um jovem de classe média de Ribeirão Preto, identificado apenas como “Boy”, 27 anos . Era pelo programa MSN que ambos, muitas vezes, negociavam pedidos e davam números de conta bancária.

Se os fornecedores de Araraquara tinham seus pequenos distribuidores, segundo o delegado, assim também era a relação de “Boy” com outros agregados. Ele repassava a droga a outros quatro traficantes de Ribeirão. Monitorando o tal fornecedor, os investigadores chegaram a um outro patamar. É nesse ponto que entra na investigação o sérvio Bojan, 28 anos, no Brasil desde 2005 e morador de Foz do Iguaçu, na divisa do País com o Paraguai e a Argentina. Ele buscava a droga no Rio de Janeiro.

De acordo com a Dise, as prisões foram articuladas desde abril. O distribuidor de Araraquara foi detido em 4 de maio. O fornecedor de Ribeirão acabou na cadeia em 15 de maio, com drogas, máquina de clonar cartão e arma. A investigação continuou para formar provas contra o sérvio, o último a ter a prisão decretada no dia 2 de agosto, em Foz. A Dise de Araraquara acredita ter desmantelado um esquema de venda de drogas sintéticas com contatos em vários Estados e na Argentina, Bolívia e Paraguai.

Distribuição

Investigações da Dise de Araraquara apontam para um giro de aproximadamente 5 mil comprimidos de ecstasy e pontos de LSD por mês na cidade e alguns municípios da região. Foram quase 1.600 pontos de LSD e 730 comprimidos de ecstasy apreendidos.

No entanto, a polícia tem indícios de que os chefes locais negociavam também outros tipos de entorpecente. Em Matão, caberia a um ex-presidiário vender a maconha, enquanto que em São Carlos a comercialização de ecstasy seria feita por uma pessoa conhecida como “Vitinho”. Somando o braço de Ribeirão Preto, mensalmente eram negociados de 20 mil a 40 mil unidades de cada droga sintética.

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Conversa virtual vira prova no inquérito

Uma conversa virtual anexada ao inquérito mostra Bojan e Boy conversando em uma mistura de português com espanhol. Na conversa, Boy questiona o fornecedor sobre a qualidade da droga vendida e reclama de um lote ruim.

Bojan justifica dizendo que a próxima remessa é “muito forte” e a demora na entrega se deve ao fato do intermediador - provavelmente na Europa - ter sido preso. Mas ele comunica que o contato no Rio de Janeiro já arrumou outro transportador. Eles acertam a quantidade negociada e, no final, é passada uma conta bancária para o depósito.

Ações em nível nacional

A trajetória da droga sintética percorria Europa, Rio de Janeiro, Ribeirão Preto, Araraquara e, a partir daí, seguia para São Carlos, Matão, Descalvado e Catanduva. Segundo a Dise, para prender os 20 acusados foi necessário o apoio das Polícias Militar, Rodoviária e Federal de Araraquara, além da Dise de Ribeirão Preto que deteve o fornecedor da droga, da PF de Foz do Iguaçu e das Polícias Civil de Rincão e Matão.

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