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Diesel pode ter 5% de ‘bio' já em 2008

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Lins - A inauguração da maior usina de biodiesel do mundo com processamento de sebo bovino, ontem, em Lins (102 quilômetros de Bauru), revelou uma discussão travada entre o governo federal e produtores de biodiesel para fixar em 5% a mistura de biodiesel ao diesel em 2008 e não apenas 2% como já está definido.

“Eu espero que a gente consiga colocar logo os 5% e depois os 10%. Posso dizer para vocês que estou convencido que é apenas uma dúvida da indústria automobilística com o seu potencial tecnológico”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu discurso, ontem em Lins.

Por enquanto, a adição de 2% de biodiesel ao diesel está definida pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) para iniciar a partir de 13 de janeiro de 2008. Só passaria para uma mistura com 5% em 2013.

Em resposta à dúvida do setor automobilístico, o biodiesel produzido pelo Grupo Bertin será colocado à prova. Seis caminhões, modelo VW 19.320E, percorrerão 100 mil quilômetros. Três estarão abastecidos com a mistura B20 (20% de biodiesel e 80% de diesel comum) e os demais atuarão como “sombras”, abastecidos com diesel comum para comparação. O desempenho será medido em diversas condições de uso extremo. O teste de confiabilidade envolve o Bertin, a Volkswagen, a Cummins, a Bosch e a BR Petrobrás.

Os executivos da Usina de Biodiesel do Grupo Bertin apostam em um crescimento rápido do mercado de biocombustível.

“Em termos de volume, 2% significam uma demanda de aproximadamente 840 milhões de litros/ano de biodiesel e 5% representará 2,1 bilhões de litros/ano”, explicou Rogério Barros, diretor comercial da Bertin Biodiesel.

Pró-biodiesel

Em pouco mais de 30 minutos de discurso, Lula reinterou sua confiança no projeto de combustível alternativo brasileiro: “Não existe nenhum país no mundo que tenha a possibilidade de competitividade que tem o Brasil na produção de biocombustível. Não tem país no mundo capaz de produzir essa alternativa (biodiesel) no mesmo preço do Brasil. É tanta coisa que pode produzir os biocombustíveis que os nossos países competidores terão que aceitar que o Brasil será imbatível nessa disputa pelos biocombustíveis”, afirmou Lula, ao lembrar do potencial de áreas agricultáveis, a disponibilidade de sol e abundância de água do País.

No início de sua fala, Lula pediu para que os convidados não se incomodassem com seu entusiasmo ao falar do biodiesel. Ao comparar a facilidade que se tem para produzir biodiesel em relação ao processo complexo de prospecção de petróleo, o presidente saiu-se com uma de suas tiradas: “Quando fui fazer colheita de mamona no Piauí, fiquei imaginando que a Petrobras precisa cavar um poço a 3 mil metros de profundidade. Qualquer dia ela sai com japoneizinho na broca de tanta profundidade”.

Lula disse que pretende viajar muito ainda este ano para divulgar “as coisas boas do Brasil”. O presidente argumentou que, de outra forma, dificilmente se conseguirá atrair exportações. Nesse trecho de seu discurso, o presidente da República ressaltou a blindagem da economia brasileira em relação à recente crise financeira que provocou sucessivas quedas nas bolsas de valores de vários países em virtude da repercussão de problemas nos investimentos do mercado imobiliário nos Estados Unidos.

A planta industrial inaugurada ontem com a presença de Lula tem investimento total de R$ 42 milhões. Sua capacidade de processamento é de 110 milhões de litros de biodiesel. “A meta é abastecer o mercado interno e, posteriormente, o externo”, ressaltou Barros.

Defesa sanitária

Ao tranqüilizar o setor de produção de carne para exportação - segmento de interesse do Bertin -, o presidente Lula garantiu que não faltará dinheiro para viabilizar negócios com o Exterior em função de doenças no rebanho bovino brasileiro.

“Não basta ter dinheiro e disposição do governo se as pessoas que forem donas de gado não tiverem a responsabilidade de vacinar. Quando alguém, em qualquer Estado, comete o erro de não vacinar, o outro Estado que vacinou paga o preço da irresponsabilidade”, cobrou o presidente da República.

Ontem, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, em seu discurso, lembrou da necessidade de resolver o problema da defesa sanitária no País para garantir os bons resultados da indústria exportadora de carne.

Lula chegou à fábrica às 11h27 após sua comitiva pousar no Aeroporto de Lins. Ele veio acompanhado da primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva e dos ministros da Agricultura, Reinhold Stephanes; da Ciência e Tecnologia, Sergio Resende; da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff; e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge. Entre os deputados, destaque para o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT). A cerimônia contou com a presença de vários empresários, como Márcio Cypriano, presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e do Bradesco.

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