Regional

Produtores e trabalhadores avaliam que suspensão do fogo trará prejuízo

Davi Venturino e Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 2 min

A proibição da queima da cana para os municípios da microrregião de Jaú vai acarretar sérios problemas tanto para o produtores quanto para os trabalhadores rurais do corte de cana. A previsão é do Sindicato dos Empregados Rurais de Jaú e da Associação dos Plantadores de Cana da Região de Jaú (Associcana).

Para o presidente do Sindicato dos Empregados Rurais de Jaú, Hermínio Stefanin, a proibição das queimadas vai impactar, em um primeiro momento, nos salários dos trabalhadores.

“Para o trabalhador se torna difícil cortar a cana. Eu acho que vai acarretar primeiro no salário. Se o cortador corta 10 toneladas na cana queimada, na cana verde não vai cortar nem cinco. Vai cair mais da metade”, lembra.

Segundo Stefanin, a região de Jaú abriga hoje cerca de 4 mil trabalhadores do setor, que serão diretamente prejudicados com a liminar. “O corte de cana na queimada é penoso, na palha é mais penoso ainda”.

Para o presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Região de Jaú, Francisco Paulo Brandão, a medida pegou de surpresa os fornecedores. “E foi decepcionante. O ano já é de crise no setor canavieiro, no custo de produção. É mais um complicador”, lamenta. Cerca de 920 produtores fazem parte da Associcana atualmente.

Segundo Brandão, a liminar veio em hora imprópria. “Veio no meio da safra. Não se mudam as regras no meio do jogo. Não foi levado em consideração o impacto violentíssimo que causaria para o próprio trabalhador rural, para o cortador de cana”, completa.

Brandão ressalta ainda que a medida pode acarretar em problemas econômicos e financeiros, não só para os produtores rurais como também para as indústrias.

“O fornecedor também teria problemas econômicos, financeiro e as próprias indústrias também. Mesmo porque, a safra deste ano já está atrasada por causa da chuva”, diz.

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Secretário é favorável

Para o secretário de Estado do Meio Ambiente, Franscisco Graziano, o ideal é que a cana-de-açúcar não fosse mais queimada em São Paulo. Ele afirmou ontem, em Bauru, em coletiva para a imprensa, que trata-se de um problema de saúde pública.

Sobre a liminar que proibiu os produtores de queimar a palha da cana para a colheita (leia mais nesta página), ele foi diplomático. “Do ponto de vista do meio ambiente, se não queimássemos nenhuma cana, ficaria muito feliz. Agora, há uma questão de transição de um governo para o outro”, disse.

O secretário refere-se ao embate entre a questão econômica e ambiental. “Do ponto de vista ambiental, queremos que acabe a queimada. Mas tem que haver um prazo para a readaptação dos canaviais e aquisição de máquinas”, argumentou. Graziano esteve em Bauru para participar da abertura da 2.ª Jornada do Aqüífero Guarani.

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