No último artigo, falei sobre a necessidade da demissão dos políticos por justa causa, ante a suposta inépcia administrativa. Não se pode generalizar, há os bons e ruins em todos os segmentos, mas especialmente na política, até em razão de se decidir pelo voto da maioria, aparentemente a demissão por justa causa em razão da incapacidade se aplicaria à quase unanimidade.
Naquele texto apontei que dentre os deveres do Estado está o de garantir ao seu povo Educação. Esta semana uma notícia me chamou atenção, especificamente por traçar um paralelo entre a falta de estudo e a concordância dos pouco estudados com as práticas inescrupulosas da administração pública.
Num levantamento feito pelo sociólogo Alberto Carlos de Almeida, autor do livro “A cabeça do Brasileiro”, chegou-se à conclusão de que quanto menor o grau de instrução do cidadão, mais aceita são as práticas pouco ortodoxas de administração pública, para ser elegante.
À afirmação de que “Se alguém é eleito para um cargo público, deve usá-lo em benefício próprio” nada menos que 40% dos analfabetos responderam que tal atitude é correta, ao passo que dentre os graduados em nível superior tal aceitação foi de apenas três pontos percentuais.
Noutra questão, “É certo recorrer ao jeitinho para resolver problemas, como o de se livrar de uma multa”, 57% dos analfabetos afirmaram ser correta, enquanto apenas 33% das pessoas com nível superior aceitaram o “jeitinho brasileiro”.
Na edição do último dia 22 deste Jornal, divulgou-se que 80% dos beneficiados no programa Bolsa Família estudaram até a 8ª série do Ensino Fundamental, sendo que apenas 0,3% dos beneficiários atingiram o nível superior.
Partindo do princípio de que só são beneficiários do “Bolsa Família” os que realmente necessitam ser assistidos pelo Estado, podemos então concluir que quanto menor o nível de escolaridade do cidadão, maior a dependência dos programas públicos de assistência social.
Considerando que na última eleição presidencial, muito se falou que o programa “Bolsa Família” teria sido decisivo na reeleição do presidente Lula e que diante das denúncias de corrupção que atingem o seu mandato, este mantém sua popularidade estável em alto nível, e por fim considerando que a grande vantagem de votos do reeleito se deu na camada menos alfabetizada da população, podemos imaginar que a dependência do assistencialismo é estimulada, na medida em que o Estado se nega a entregar ao povo a educação que tem direito, pelo que, mantendo o povo ignorante, mais fácil os políticos de plantão perpetuarem-se no poder.
Tudo bem que tais conclusões não chegam a surpreender pela novidade, afinal de contas já as ouvia desde o ginásio, por ter sido premiado como aluno do Prof. Muricy Domingues. Na época, ele já dizia que a ignorância do povo servia para a manutenção do poder estabelecido, mas isso também me traz outra conclusão; que devo me redimir da acusação de que os políticos devem ser demitidos por justa causa por incompetência, pois a causa da demissão deve ser a má-fé, eis que aparentemente os governantes não são ineptos, são é muito “espertos”, pois a recusa em conceder educação ao povo não se dá por incompetência, mas por interesse na perpetuação no poder.
Com certeza eles entendem que essa falta de educação é uma santa ignorância!
O autor, João Carlos de Almeida Prado e Piccino, é advogado, especialista em Direito Tributário e pós-graduando em Direito Público. Seu endereço na Internet é www.piccino.com.br ou opiniao@piccino.com.br