Santiago - Um dia de protestos e greve convocados pela Central Unitária de Trabalhadores (CUT), a maior central sindical chilena, terminou ontem com 350 detidos e dez feridos, entre eles o senador socialista Alejandro Navarro, do mesmo partido da presidente Michelle Bachelet, o Socialista.
A CUT é dirigida por Arturo Martínez, também filiado ao PS. Ele acusou Bachelet de não cumprir a promessa de diminuir a desigualdade social no Chile.
Entre as várias demandas dos sindicalistas, houve a queixa de que o novo salário mínimo, equivalente a R$ 540, é insuficiente.
“Avançar, avançar, até uma greve geral”, era o coro dos manifestantes. A adesão à greve foi só parcial, mas os protestos e o fato de seus promotores fazerem parte de partidos da coalizão que governa o Chile desde a redemocratição, nos anos 90, incomodaram o governo.
O maior protesto reuniu 2.000 pessoas na praça Itália, no centro de Santiago. Faculdades e algumas escolas ficaram fechadas, mas, para o governo, a capital “operou em plena normalidade”.
Outros enfrentamentos aconteceram em Valparaíso e Concepción.
Bachelet disse que a democracia não precisa de “desordem, nem violência”. “Na democracia e no meu governo, os trabalhadores sempre poderão demonstrar pacificamente suas demandas e seus direitos.”
O protesto teve um vaca como símbolo. “Ela está cansada de ser ordenhada em benefício de poucos.” A CUT usou a metáfora bovina para falar do contraste entre a economia chilena .