Turismo

Localização privilegiada

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 6 min

Curaçao localiza-se numa área mais que privilegiada do Caribe. Por estar a apenas 60 quilômetros da Venezuela, está livre de furacões. O último que passou pelo mar azul-turquesa na semana passada, mandou somente um ventinho para lá. Nem mesmo chuvas fortes são registradas no trecho.

As nuvens ficam escuras em algumas partes do dia, pode até cair alguns pingos esparsos, mas chuva mesmo, nem pensar. Por isso é que o solo é arenoso, desértico, propiciando a proliferação de primaveras multicoloridas – lá chamadas de buguanville - e cactos enormes. Alguns até comestíveis, numa semelhança com os mandacarus do nordeste brasileiro.

Todos os hotéis – e há excelentes lá, como o “all inclusive” Breezes, o Hilton, o Fluoris, o Marriott e o Kura Huanda (este dividido em hotel cidade e hotel lodge) - contam com piscinas projetadas pelos melhores arquitetos e paisagistas internacionais. E há cassinos para quem adora roletas e maquininhas caça-níqueis. Os hotéis, no chek in, já oferecem aos hóspedes “vouchers” de cinco verdinhas. E só colocar mais cinco e partir para a sorte.

Eles funcionam dia e noite com suas máquinas coloridas e iluminadas, fichas aos montões e gente de fino e de médio trato. Assim como nossos bingos fechados, as curaçolenhas adoram um carteado, sorrindo e mostrando seus dentes de ouro quando ganham muitos florins (a moeda oficial).

Próteses de ouro são comuns na ilha. As mulheres também se amarram em unhas imensas e decoradas, feitas à base de porcelana. Chegam a rir das nossas, pequenas, limitadas aos dedos.

Uma dica para quem acabou de se formar e esta a fim de conhecer outros lugares e trabalhar: as duas profissões que mais fazem falta em Curaçao são de cirurgião: dentista (especialização em implantes) e plástico (os planos pagam qualquer reparo).

____________________

Compras e gastronomia

O florim e o real valem praticamente a mesma coisa com relação ao dólar em Curaçao. A gasolina também tem o preço do Brasil, mas os carros, ah... os carros..., são outra coisa. Na cidade inteira eles se mostram imponentes, chiques. Os moradores adoram acelerar suas máquinas e brecar. Se em Nova York o que mais se ouve são as sirenes das ambulâncias a cruzar a Quinta, Sexta, Sétima avenida, em Curaçao – em Otrobamda ou em Punda, o som é dos bruscos arranques de Ferraris, Mercedes, BMWs...

O salário mínimo gira em torno de US$ 600 e são poucos os assalariados. A maioria da população tem excelente padrão de vida, seguros saúde que pagam tudo, boas casas, escolas premiadas. Cerca de 170 brasileiros estão vivendo nesse paraíso fiscal que, por fazer parte da União Européia, tem acesso aos mais diversos bens e atua como distribuidor de produtos provenientes, por exemplo, da América Latina. O Brasil pode exportar açúcar, arroz, carne, através de Curaçao, para a Europa, sem restrições.

Essa facilidade faz com que se encontre nas lojas de Punda e de Otrobanda – as duas partes são divididas por um canal e uma ponte móvel que cede espaço para a entrada de navios – perfumes, roupas de grife, eletroportáteis, etc, etc, a preços de “duty free”.

Uma das lojas especializadas em perfumaria mais disputadas é a Penha. Lá trabalha uma brasileira do Pará, Jaqueline Monteiro, 30 anos, que casou com um engenheiro curaçolenho e está prestes a ganhar a cidadania holandesa. Levou junto dois filhos do primeiro relacionamento que falam inglês, espanhol, holandês e papiamento com desenvoltura. Saudade do Brasil? “Só da comida, do pato no tucupi e do Círio de Nazaré”, conta.

É fácil casar em Curaçao. Os homens gostam das brasileiras e até as mais “velhinhas” têm chance. Inicialmente é feito um contrato entre os nubentes, que de ano em ano vai sendo renovado pelo marido até que ao final de cinco anos de união estável a moça possa fazer uma provinha sobre os hábitos, usos e costumes holandeses, passar no teste – cultural e matrinomial – e se tornar também parte dos súditos da rainha Beatriz.

Interessante e comum. Os curaçolenhos – geralmente negros, altos e robustos (Curaçao, no passado era conhecida como a terra dos homens grandes) – e os holandeses – loiros, de olhos azuis e igualmente com seus 1,80, 1,90 de altura - se unem numa boa, sem preconceitos e vivem felizes para sempre.

No avião da Avianca, que faz a ligação São Paulo- Bogotá (Colômbia), é comum os bancos estarem reservados para cinco, seis pessoas. Incluindo meninas de cabelos encoracolados, pele morena e imensos claros. Miscigenação a serviço da beleza e da cultura.

____________________

Agito e artesanato em Punda

Otrobanda tem lojas que lembram a 25 de Março, em São Paulo, mas muito, muito mais organizadas. E limpas. Os mais diversos “made in China” são encontrados ali por precinhos vantajosos. Réplicas quase perfeitas de bolsas Kipling (o macaquinho vem junto!), camisetas Lacoste, Ralph Lauren, sapatos no mais sintético e colorido material... Lembracinhas para agradar quem ficou no Brasil e malas a US$ 30 para acondicionar o que foi sendo adquirindo nos passeios.

O outro lado, Punda, é digamos, mais chique. Tem várias lojas de grife, além de perfumarias, relojoarias, lojas especializadas em eletrônicos. Na Royal, é possível, pechinchando – olha nós aqui outra vez –, comprar uma câmera Sony acompanhada de carregador e cartão de 1.0 G por US$ 200. Perfeito para quando a nossa emperra ou foi esquecida em casa.

Relógios da Nike são encontrados entre US$ 36 e US$ 90, bem menos do que os R$ 400,00 a R$ 800,00 em que são comercializados em São Paulo. Além dos industrializados, as ruas de Punda contam com feiras de artesanato multicolorido.

Uma tela de um metro com cores berrantes e desenhos alegres custa em média US$ 50. Bolsinhas com detalhes de sua paisagem saem em torno de US$ 5 (se comprar três leva por US$ 12); toalhas com todos os pontos da ilha ou do Caribe por US$ 6...

Tudo em Curaçao tem cores fortes. Até mesmo os cemitérios. Uma lenda dá conta que foi obra de um antigo governador que atribuia sua eterna enxaqueca ao branco das fachadas. Pintou tudo e se curou.

Outra coisa que não falta no comércio – de um lado ou outro do Centro – são as lojas tocadas por imigrantes hindus. Aquelas túnicas e chinelinhos indianos estão por toda parte. Leve três por US$ 15 e ainda ganhe de brinde um incenso....

Praticamente todo o comércio é dominado por eles, embora também vivam em Curaçao muitos portugueses, alguns de Madeira e Açores, donos de supermercados e vendas. Os indianos são maioria e estão presentes também nos hotéis, dividindo os serviços com os nativos.

No Super Breezes, que fica quase ao lado do Seaquarium (vários brasileiros em lua-de-mel se hospedam lá) e onde são oferecidas diárias com todas as refeições e drinques à vontade 24 horas, um simpático indiano se reveza em imensas pranchas quentes de fazer e servir aos comensais pratos incríveis da culinária oriental. Sushi bar para japonês algum botar defeito numa seleção correta de yashisoba de camarão, peixe, carne e frango. Com saquê, Amstel, pinãs coladas e margheritas no “all inclusive”. Tin Tim Nitza!

Comentários

Comentários