São Paulo - O Palmeiras está revoltado com o goleiro Bosco, que teria sido cercado e agredido por torcedores rivais na saída do vestiário, no pós-jogo. O Palmeiras, derrotado por 1 a 0, além de acusar o são-paulino de “inventar” a agressão, gravou imagens que mostram a comemoração do jogador dentro do gramado após a partida. Em seguida, Bosco aparece se abaixando para pegar uma pilha no campo e, com a mão na cabeça, dirige-se ao quarto árbitro para entregá-la.
O clube pretende mandar ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) o DVD. Só que a diretoria do Palmeiras preparou-se para a defesa de uma acusação que não aconteceu por parte do rival e nem deverá ser feita contra o clube palmeirense.
Na súmula da partida, também, não há nenhum relato do juiz Djalma Beltrami sobre algum objeto atirado no gramado. Por parte da diretoria do São Paulo, a agressão ao seu atleta após o clássico não deverá ser levada adiante. “A responsabilidade (da agressão) não é da diretoria do Palmeiras. Fatos como esses já aconteceram no Morumbi e em outros estádios. Não vamos tomar nenhuma medida”, declarou ontem João Paulo de Jesus Lopes, assessor da presidência do São Paulo.
O Palmeiras quer provar ao STJD que, se Bosco fingiu ser atingido por um objeto ainda em campo, pode ter mentido sobre a agressão posterior. Bosco explicou o que foi falar com o juiz. “Peguei a pilha no chão e fui falar com o juiz que alguém poderia ter se machucado. Passei a mão no cabelo porque estava assanhado.”
O Palmeiras quer ver o goleiro reserva do São Paulo punido pelo STJD. Espera que o órgão denuncie o jogador no artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), por prática antidesportiva. “Ele teve uma atitude ludibriosa no campo”, falou o diretor de Futebol Savério Orlandi.
Caso receba alguma punição por causa dos incidentes após a partida, o Palmeiras garante que entrará com uma ação em outras esferas da Justiça, não apenas a esportiva. “Se sofrermos algum prejuízo, obviamente vamos estudar medidas de outra natureza, como num processo cível”, garantiu Orlandi.
Recuperação
As frases dos jogadores do Palmeiras e do técnico Caio Júnior se dividiram basicamente em dois temas ontem: as críticas à arbitragem na derrota por 1 a 0 para o São Paulo e o sentimento de que é preciso deixar o jogo para trás e se recuperar no Brasileiro no jogo de domingo, contra o Cruzeiro, no Mineirão.
“Foi uma pena o árbitro ter cometido uma falha tão gritante, que comprometeu com o resultado final. O Palmeiras foi bem no segundo tempo e não merecia sair derrotado”, disse o zagueiro Gustavo, em referência ao gol de Max, que foi anulado pelo assistente.
O técnico Caio Júnior puxou a fila dos que pregam a recuperação imediata, e disse que o time ainda tem chances de sonhar com o título, embora tenha ficado a 11 pontos do São Paulo. “Estamos de cabeça erguida para continuar a caminhada. São mais 16 rodadas pela frente e tudo pode acontecer”, afirmou o técnico, já pensando nos próximos jogos - na próxima quinta-feira, o time pega o Botafogo, no Maracanã.
“Teremos uma seqüência difícil, mas estamos apresentando um bom futebol, aguerrido e de muita determinação, e será dessa maneira que vamos chegar até o fim.”